Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Nenê nini e o cachorro!



Nós gatos já nascemos poooobres...porémmm, já nascemos liiiiivres...Senhor, senhora, senhoriooo! Felino! Não reconhecerás!♫

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

A Mindinha de Lá

Mindinha tinha quatro anos. Tinha o sorriso de mármore e, quando dava risada, mostrava até as goelas. Tinha a cabeça na lua e estrelas nos olhos. Por vezes, as estrelas sumiam tamanha a quantidade de nuvens que envolviam seus olhinhos.

Era muito distraída, vivia batendo a cara no poste. Ela, aos olhos do poeta, ziguezagueava pelo simples fato de ser. Tinha as mãozinhas brancas e pequenas, os pezinhos sempre sujos de tanto andar descalça em casa e no quintal. Ela era medrosa, não conseguia dormir à noite. Temia os monstros de sua imaginação.

Mindinha pensava, pensava, pensava tanto, que sua cabeça doía. Pensava que era bom não pensar mais. Mindinha, por vezes, cansava de sorrir. Cansava de pensar e, de tanto ver a lua, colocava a cabeça na chuva. E chovia tanto que, por vezes, trovejava. Mindinha era brava.

Mindinha, como toda criança, corria pra Mamãe. Mamãe tinha sempre estrelas nos olhos. Mas tinha os pés no chão. Os pés de Mamãe nunca estavam barreados. Trabalhava o dia inteiro, mas não derramava uma gota de suor. Mindinha olhava pra Mamãe e perguntava a si mesma “Como ela consegue estar sempre perfumada?”

Às vezes, Mindinha era esperta. Apertava Mamãe bem forte, tão forte, que, assim, ela também ficava perfumada. Mas Mindinha esquecia, e o cheiro saía. Mindinha duvidava. E como ficava desajeitado aquele toco de gente duvidando!

Mindinha, então, descobriu que o melhor era ficar sempre abraçada à Mamãe, assim, não esquecia, e o perfume não saía.




Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Littera

Eu gosto de cartas e gosto de flores. Mas deixemos as flores em seu jardim. Fiquemos com a primeira.
A carta permite que você leia o que foi escrito de mil e uma formas. Admite que você seja o seu próprio autor e muitos outros leitores.
A leitura é um convite e uma violação. Eu preciso rasgar o envelope para saber o que tem dentro. Na carta, eu posso sentir a finura do papel e o peso das suas palavras. Posso enxergar sua mente em seus traços e sentir seu cheiro de perto e de longe.
Nela, não existe Ctrl C, Crtl X, Ctrl V. Em seus rabiscos, posso julgar todos seus vacilos, indecisões, desânimos e cansaços. Se você quiser ter a escrita impecável, no mínimo, vai ter de procurar um dicionário. E, mesmo assim, você vai errar, e eu não vou perceber.
Se você desistir de tudo, é preciso muita coragem para rasgar e recomeçar. Talvez o desânimo, o medo e o desdém nunca permitirão que ela chegue. E, se ela vem até minhas mãos, é porque, mesmo sobrando covardia, não faltou audácia.
Ela pode durar anos ali, na estante, e posso lê-la todos os dias. E todos os dias entender mais um pouco de você e de mim.
Ela pode ficar guardada na gaveta, e eu nunca mais tocá-la. Eu posso esquecê-la ou guardá-la na memória, do meu jeito, com a minha letra. Eu posso lê-la e abraçar junto ao peito, com um sorriso nos lábios.
Eu posso amassá-la e jogá-la no cesto de lixo, junto aos papéis higiênicos, bitucas de cigarros e absorventes usados.
E se quiser que ela nunca exista, eu vou precisar queimá-la. E permitir que o vento e a terra sejam seus leitores. A chuva, deixo para consolar-me os olhos.
E mesmo assim, eu peguei, eu senti, eu cheirei, eu repeti palavra por palavra, saboreando-as todas em minha boca.
Seus pingos nos is são difíceis de engolir, é preciso mastigar muito. Seus adjetivos são adocicados e suas lacunas são sombrias. Suas declarações me salvam da insanidade.
Sua falta de ponto final e de acento me dão fome. Suas exclamações são o tempero que faltava. Suas reticências...ah...reticências...Nem as mais potentes labaredas podem incinerar.
E, em cada linha, você toca em alguma parte de mim. E nossas almas se afastam e se fundem nas entrelinhas.
Eu leio devagarzinho para não perder nenhuma letrinha. E corro os olhos sem fôlego em busca da despedida. Só assim te encontro.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Fon-Fon!

- Meu, vai logo, cacete!!! Que molengão!

- Calma, é só um velhinho, ele está no tempo dele...

-FOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOON!

-Puta que o pariu, moleeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

-Você não precisa gritar, nem falar palavrão. Cara, são sete da manhã, pra que tanto pique?

-Eu não sei fazer baliza, me ensina?

-Ensiiino.

- Por que tem muita mulher que não sabe fazer baliza? Eu nunca vi homem que não sabe fazer baliza. Acho que se eles não sabem, não revelam. Será que a noção espaço-temporal está diretamente ligada à testosterona?

- Atitudeeeeeee!!! No carro você tem de ter atitudeeee!

- Mas ela não é temerosa e já bateu duas vezes.

-O seguro da mulher é menos caro porque elas tomam mais cuidado no trânsito.

- Cara, não acredito, eu estacionei mó longe da guia.

- Tá bom assim, vamo!

-Não, eu vou arrumar.

-Tá tarde, vamo!

- Não, eu quero arrumar...

-Depois você arruma!

- Eu não gosto muito de dirigir na cidade. Trânsito, farol e lombada. Fora que não gosto de trocar de pista. Prefiro a marginal – sem trânsito – me sinto liiivre!

- Aqui na terra tão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock'n'roll, uns dias chove, noutros dias bate sol!♫

- Andôôôôôôô!!!

- O carro é uma extensão fálica do homem. Ali ele deposita toda a sua masculinidade. É como se fosse uma auto-afirmação.

- Você acha que eu dirijo bem?

- Dirige...Mas, sei lá, você deveria ser mais agressiva, sabe, dirigir que nem homem!

- Como assim?

-Por exemplo, o jeito que você gira o volante...

- Hahahaha, ela dirige muito mal, né? Olha que eu não reparo muito como as pessoas dirigem. Só quando chama muito a atenção. Mas eu acho engraçado, porque ela num liga. Já, pra mim, você dirige bem, não sei explicar. Fluuuuuuui.

- Cara, ele corre muito, parece que tá num rali! Não gosto de pegar carona com ele não.

-Aprendi a estacionar de ré! Só falta saber fazer a bendita da baliza.

-Você tirou carta com quantos anos?

-Vinte.

-E você?

-Dezoito.

- Então, o teatro é na Maria Antônia, deve ser pela Consolação...

- Faz 40 minutos que eu to tentando chegar ao lugar!!!

-Desculpa, eu tenho dificuldade de prestar atenção quando não tô dirigindo... Eu gosto de guia, cadê o guia? Ah, eu não gosto do GPS.

- Meu, isso irrita as pessoas, não tem de cortar a fila.

- Eu, não, bando de bobão, não vou ficar nesse trânsito, não.

- Ele deve estar puto com você...

- FONNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNN!!!

-Ai, o que foi, já vô, já vô! Estressado!

-Mulher não dá passagem, mas eu dou. Elas são antipáticas, não quero ser igual. Os homens dão passagem...

- Que cara folgado, ele deu um totó no carro da frente só porque tá trânsito, ai, que ódio!!!

- Ele tava com uma garrafa na mão, cara, primeiro de janeiro e já me vem um playboyzinho desse, tem dó. Filho da mãe...

- Sabe, eu acho que o jeito de dirigir tem muito a ver com a personalidade da pessoa. Minha mãe, por exemplo, meu, buzina toda hora, e ela é expansiva, sabe. Já meu pai, ele não buzina nem por decreto, é mais fechado. Eu acho vou ganhando segurança na direção aos pouquinhos, como tudo na minha vida...

- Abriu o sinal.

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Fábio Puentes

Cansada...

- Dorme, dorme, dorme.

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Poetize!

O site www.talentos.wiki.br, vinculado ao www.brasilwiki.com.br foi lançado hoje, 22 de abril, com um concurso de poesia de brinde. O primeiro colocado ganha R$5 mil, o segundo, R$3 mil, e o terceiro, R$1 mil (eles gostam de números primos!rs). Além disso, as 70 poesias mais bem avaliadas serão editadas em um livro.

Os avaliadores são os próprios internautas além de um júri especializado: Aercio Flavio Consolin, Cristine Gerk, Isabel Furini, João Lins de Albuquerque, Paulo Leandro Valoto e Welington Andrade.

O concurso vai de 22 de abril a 7 de junho, e cada autor poderá inscrever duas poesias. Acesse o site e leia o regulamento para saber mais detalhes.

Se você ganhar, eu sou sua amiga =)

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Stop!

Meu querido amigo André Calou sugeriu postar um texto seu aqui nesse lugarzinho. Adorei a ideia e aceitei de pronto! Agora, divido com vocês um pouco do que se passa no mundinho de Deco Peteleco.

Segue o texto:

Ensaio sobre a Cegueira

Outro dia, mentalmente motivado por uma discussão fantástica numa das disciplinas que faço no meu curso, fiquei pensando sobre o assunto. Esta questão sobre ser cego enxergando e supostamente descobrir a visão também é questionável.

Nós vemos o que vemos que queremos ver. Até aí, sem grandes novidades no front. Mas será mesmo que está glamorosa realidade existe também???

Que realidade enxergar? Enxergar a fome e a miséria que existe no mundo curiosamente desencadeia um processo de cegueira sobre os processos de desenvolvimento humano que levaram o progresso para alguns em troca da miséria absoluta de muitos. Contudo, parece haver certa falta de empenho em compreender que vivemos um paradoxo eterno – este texto devia ter outro título – nesta vida moderna.

O paradoxo de viver sobre as pressões extremas impostas pela sociedade e aquelas que impomos a nós mesmos pode ser um grande motivador desta pseudo-cegueira.

Imaginando neste ponto que provavelmente existem zilhões de textos e teses contando pra você exatamente a mesma coisa, eu quero apenas fazer das minhas palavras uma música de reflexão para quem lê isto, possa ter a oportunidade de viver melhor (olha o estereótipo chegando aí gente!..rsrsrs) a sua vida.

Pegue um papel e uma caneta. Vamos brincar de um “stop” filosófico. Faça colunas com os seguintes tópicos:

o que eu faço na vida|do que eu faço, eu gosto de..|do que eu faço, eu não gosto de..|o que o mundo me diz para fazer|o que do mundo eu faço|o que eu faço que o mundo não deixa|

Se você foi paciente para ler até aqui, se teve uma sinapse de impulso para tentar, mas achou perda de tempo, faça! Depois você deixa um comentário aqui, e conta se você acha que enxerga ou não.