segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Um sonho bom

Cheguei menina naquela noite nem fria, nem quente.

Mas nem por isso menos noite.

Ao contrário: seu preto era o mais preto, suas estrelas todas.
Nenhuma nuvem, mas várias estrelas cadentes. Tantas tantas que parecia que o céu estava em festa.
Tantas tantas que não sabia qual pedido pedir.
Tantas tantas que o preto da noite se confundia com toda aquela luz.

E havia, ainda, aquela maior e mais bonita, que tanto iluminava, apagando toda treva.
A lua era cheia - eu nunca a tinha visto tão grande.

Cheguei menina, meu manto perfumado.
Mamãe o tinha lavado e passado.
Tão macio o meu manto!
Era o mais bonito que eu já havia ganhado!
O perfume da minha roupa se confundia com o perfume das damas da noite, desta vez, com um cheiro bem suave e nunca enjoativo.

Cheguei triste, ombros cansados.
Ele sorriu para mim, com seu manto marrom e colocou as mãos sobre meus ombros. Segurou firme, e meus músculos relaxaram.
Que sorriso bonito, e quanta paz ele me passou!

Minha garganta ardia
há dias!
O som dos cantos me deu um pouco de sono.
Eu bocejei, e dor se amenizou.

Cheguei menina, eu e meus amigos.
Os idosos, as mulheres, os negros, os robustos.
Havia algumas ovelhas que os acompanhavam ... eram tão peludas! Aqueles novelos de lã ambulantes...
Duas pastorinhas seguravam as minhas primeiras bonecas: Mariana e Meméia.
Eu não queria dar a Meméia, mas fiquei feliz de saber que aquela criança a amava tanto quanto eu.

Cheguei menina e dei um espirro. Ainda bem que foi só um.
Ele olhou para mim com seu sorriso e me disse:
- Não quer conhecer a nossa família?

Que bonito ele era! Deu-me vontade de chorar.
Ele parou na frente da gruta. E, desta vez, foi ele quem se emocionou.
- É bonita a sua família? – perguntei.
- Cada vez mais.
Eu falei do sorriso, mas deveria ter falado dos olhos. Apaixonados. Amor entregue, descabido, sem medidas.

Cheguei menina, e o cheiro do celeiro era forte. Lembrei do sítio e pensei: "Meu pai e meu irmão iriam gostar daqui".
Distraída, esqueci de ver de onde vinha aquele coral. Eu gosto de ouvir corais, mas acabei esquecendo daquele belo som. Pudera, cada coisa, cada simples coisa me era uma surpresa.
Estava muito claro lá. Luz que cegaria, se não tranqüilizasse. Tranqüilidade singular e sem fim.

Enfim, ele me apresentou ela. Ah! Como era bonita! Generosa, me deu seu bebê pra eu segurá-lo, sem que eu pedisse, sem que eu merecesse.

(Eu gosto das crianças e elas gostam de mim)

- Oi, bebê!

Ele me sorriu. Desbancou o sorriso do pai, sem um único dente. Tão pequenininho e já sorria tão bem! Gostei desta criança, muito simpática!
E como era bom abraçá-lo junto ao peito, tão quentinho!
Já nem sentia mais o cheiro de esterco e nem achava estranho a cara da vaca apoiada em meu ombro. A vaca queria lamber o bebê, mas eu a afugentava. Vai sujar a criança!
No fim, quem levou a lambida fui eu.
Todos deram uma grande gargalhada. Era tão gostosa, que nem fiquei brava e comecei a rir também. Parecia que até a vaquinha ria.

Cheguei menina, e o bebê mexia as mãozinhas, queria segurar o meu cabelo, mas era tão novinho, que não tinha força.
- Nasceu faz dez minutos – disse
Aquele olhar profundo e bem resolvido. Aquele sorriso simples e livre. Aquelas mãos bem desenhadas.
Ele pegou a criança no colo e eu pude beijar as mãos da mulher.
Dei um beijinho na testa da criança e lhe contei o meu segredo. E ela me contou o Seu.

Ceguei menina, e a noite fez silêncio.
Fui embora feliz e com a certeza do que tinha vivido: meu rosto ainda estava molhado da saliva bovina.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Canção de ninar

♪"...Sabiá responde de lá / Não chores que eu vou voltar"♫

Shhhhhhhhhhhhh!

Ele está dormindo.

domingo, 4 de novembro de 2007

Com fiança

É sempre muito difícil falar de um grande amor. E, como todo grande amor, não tem razão de ser, é patético e, por vezes, dá vergonha de assumir.

De fato, me apaixonei. Lembro-me do primeiro dia em que o vi. Sinestesia. Vi meu mundo explodir de tanta cor, tanto sentimento, tanta alegria! Eu estava nervosa também. Era meu primeiro contato com ele eu estava sozinha. Estava lá por motivos quase profissionais, e eu levei aquilo muito a sério. Sério até demais. Mas a paixão foi inevitável.
E eu que me considerava tão racional, me vi tomada por aquela mistura de sentimentos. Estar naquela situação fazia com que eu me sentisse mais infantil e, quanto mais eu abafava aquele sentimento, mais ele crescia. Era ridículo e era bom.
Voltei para casa como quem volta da balada com a roupa e cabelo impregnados de cigarro. Mas, daquela vez, estava carregada do cheiro dele, da imagem dele, do doce som dele. A insegurança e a mistura de sentimentos me invadiam.
Enxerguei nele, um mar de dedicação, humildade e beleza. Beleza tanta que não cabia. Cheguei a pensar que, se ele era tão belo, quão bela não seria a Beleza em sua fonte. Cheguei a abafar outros amores, desprender-me de outras paixões. Encontrei outras pessoas que também comungavam do mesmo sentimento que o meu. E, como uma apaixonada cega, não conseguia entender aqueles que não sentiam o mesmo que eu sentia.
Frenesi.
Mas não deixei a equação matemática de lado. Ela faz parte, ela regula os sentimentos, trilha os caminhos. Fui honesta com meus princípios profissionais e mantive a seriedade. Eu e minhas companheiras, tão enamoradas quanto eu.

Infelizmente, aos poucos, aquele encantamento foi se esvaindo. Eu já desconfiava. Quando se vê qualidades demais, deve-se estar preparado para a decepção. Depois da ascensão, a queda. E eu sabia que o tombo seria forte. Por que a admiração era tanta, mais tanta, que o desapontamento só poderia ser inversamente proporcional.

Foi tristeza, vazio, decepção. Um buraco no peito. Até raiva. O que eu via, não era generosidade, era egoísmo. Não era humildade, era arrogância. Não era diálogo, era autoritarismo. Não era simplicidade, era vaidade.

Mas continuei aquela peregrinação por obrigação e por pena de perder, de repente, um sentimento tão bonito. Quando me dei conta, a paixão já tinha virado amor. Daí não tinha mais jeito. Engoli a desilusão, dobrei bem dobradinho o desengano e o guardei no bolso.

De vez em quando, ainda sinto indigestão e ponho a mão no bolso, ameaço a desdobrá-lo. A última vez que o fiz, foi quando quis colocar meu rebento na escola da vida. Contudo, sem o sobrenome do pai não consegui matriculá-lo. Outrora, se essa cria fosse útil para alimentar a glória dele, ela estaria agora dormindo em berço de ouro.

Não faz muito tempo, meu amor ficou manco. O que era unidade, virou fração. A dor foi grande, mas tirou-se disso um bem. Ele ganhou múltiplas faces que, antes coadjuvantes, agora aparecem mais e estão mais coloridas assim. Porém, meu amor não se dividiu. Multiplicou-se. Agora, a parte que se "manteve" pode pensar que quero destruí-lo. Que todos nós, enamorados, o queremos. Ledo engano. O que queremos - ou queríamos - era voltar a sorrir com ele de novo.

É bem verdade que, no momento, já não se quer mais nada. Quase não se sofre mais. É melhor assim, ficar com boas lembranças e pegar só o bem que ele nos fez. E quanto bem fez! Quantas alegrias e quantos bons frutos!

É assim que quero permanecer, grata por tê-lo conhecido. É assim que quero ficar, não apenas com boas recordações, mas gozar dos presentes que esse amor me deu.


É, o amor tem seu preço. Eu já paguei o meu. É por isso que me distancio e o vejo com olhos críticos. Isso por hora. Quanto ao futuro, espero simplesmente. Bem lá no fundo da esperança, típico de quem ama. E como um mantra, repito as palavras do poeta: não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.


(imagem Adriana Ooki)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Tirinhas diárias

For Calvin lovers:

Você pode se cadastrar neste site e receber tirinhas diárias do Calvin!:)

Dica do Diego, amigo da Belinha, que eu sempre encontro em saídas "por acaso".

Esta foi a tirinha que eu recebi hoje:



quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Vida digital na FFLCH

Na sala de informática, 267, da Letras-USP, o navegador de Internet utilizado é o Mozilla Firefox. Claro, IE seria capitalista demais.

O sistema operacional? Ubuntu-Br, pra evitar qualquer tucanagem.

Tudo rodando num Pentium 4.

Em tempo: antes de eu fazer esta postagem definitiva, meu IE travou, ao tentar abrir o site do Ubuntu.
Pero sin perder la ternura jamás!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Se deixa...


Same old song,
Just a drop of water in an endless sea
All we do,
Crumbles to the ground, though we refuse to see
Dust in the wind, all they are is dust in the wind

Deixa o vento levar a poeira. Deixa as nuvens passarem. Deixa as folhas caírem.

E o vento vira brisa.

E tudo voltar ao seu lugar.

Ela ajeita seus cabelos. Ela sabe do seu sorriso. Ela liberta o olhar.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Gestos

Eu tenho vários textos para escrever. Um que devo há tempos. Tenho muito sono também. Mas, dessa vez, achei melhor não deixar pra lá. Porque você merece.


Também poderia fazer um poema, escrever em terceira pessoa, para me preservar, mas não, vai ser "eu" e em prosa mesmo. E tem de ser publicado aqui. Porque eu quero que minha a ingênua sensação de que você vai ler esse texto seja um pouco mais verossímil.

Infelizmente, a gente carrega por muito tempo, quiçá para sempre, os nossos defeitos, logo, eu, distraída que sou, esqueci o seu nome. Mas não é por isso que você é menos importante.


Pois é, eu estava com incontinência lacrimal. O adjetivo não é novidade, mas a incontinência...O que era aquilo? Era ininterrupto e contínuo, quase involuntário, como o coração que bate. Aquele momento em que você quer tirar todas as mazelas do seu interior. Em que você sente que todos os seus valores mais preciosos se transformaram em complexos. Em que você só enxerga, no espelho da sua alma, imagens turvas e disformes.


Éramos eu, o queijo-quente, o Toddynho (na verdade era Nescau) e a incontinência. Naquele instante, eu pensava que faltavam mesmo homens viris, corajosos e decididos no mundo.


Demonstrações públicas de afeto. As pessoas precisam aprender a ter mais demonstrações públicas de afeto. Isso não significa que eu não ache detestável como as profundezas do inferno (sim, eu leio o blog do Luís Mauro) esse desperdício de "eu te amo" a torto e a direito, como se fosse um simples "alô" ou "vai chover, né". Mas é preciso aprender a demonstrar os sentimentos, o que se pensa. Para se conhecer e dar-se a conhecer. Não basta gostar só lá dentro, escondidinho. Afinal, o ser humano é feito de corpo e alma. Logo, o corpo precisa se manifestar. Não apenas por reações meramente instintivas, porque daí não vale. Isso até os cães e os papagaios sabem.


Foi, então, que você surgiu, querido J. Palavras certas, afáveis, breves e convenientes. Sem exagero.


Eu nem deixei você falar, na verdade. Tamanha era a minha vergonha.
Acho que cairia bem, aqui, um final apoteótico com um beijo ardente, mas, no caso, eu precisava mesmo era colocar uma sonda nos olhos, por isso, tão logo, saí rumo ao banheiro mais próximo.

Tenho receio de não ter expressado a minha gratidão a você. Temo, mais ainda, que você desista de ser assim, voltado para os outros. Por isso escrevo aqui, para que minha pueril imaginação me conforte e me faça sentir que você sabe que fez o melhor, por menor e desimportante que esse gesto possa parecer.


E para não dizer que faltou: obrigada!


Um beijo, um queijo e um percevejo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Cafejeste

Café deveria ser o símbolo da canalhice: quente, cheiroso, bonito, sedutor. Quando você experimenta, é amargo, ruim, por vezes, frio e aguado.

Mas tem gente que vicia.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Partida

Não adianta menina,
desfaz esse sonho,
que o amor que ele sente
nunca foi igual ao seu

Anda, seca essas lágrimas
que de tão antigas só sobrou o sal
tirou o doce do encanto
que já não é igual ao seu

Aquieta a mente, não te culpes
entende de uma vez que são coisas da vida
e o sentimento nem sempre
vai ser igual ao seu

Esquece, deixa partir a velha história
o que nunca foi de partilhar.
Nem todo coração
está disposto igual ao seu

Vai, que o coração já provou que ainda bate
procura logo um novo amor.
Vai, que só resta você no salão,
os confetes e serpentinas estão largados no chão

Deixa pra lá essa sina
de Pierrot e Colombina
os papéis estão trocados
desse jeito não combina

Subtraia, pois não há o que dividir
a soma do meu nunca será igual ao seu

Agora enfrente, vá em frente
Diga adeus ao seu...
ao seu que nunca foi teu
ao seu que foi sonho solitário
ao sonho que nunca pôde se transformar em nós


("Poema-luva" do
Flickr da Larissa, menina-mulher genial, especial. Nada mais propício.)

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Trocadeiros

Porque, além de engraçados, os caras colocam muita bailarina no chinelo (não é nem na meia-ponta, hein?rs)

Confira o site.
Vale a pena assistir aos vídeos no YouTube também.

Apresentações dia 18 e 19 de setembro no Theatro Municipal de São Paulo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Pequenas infinitas felicidades do cotidiano

"Ele fixou nela um olhar brilhante e profundo, sem uma só palavra, fez sinal de que não"
*MIL BEIJINHOS DE CONSOLO*POLICIAL AMIGO* CHÁ QUENTE *SARAU* VISITA*NOVA CASA *FRANCÊS*ELOGIO*SMS INUSITADO*AULA DE FERNANDO PESSOA* VOLTA PRA CASA*AMIZADE FOFA*ENCONTRO *CONVERSA NO TELEFONE*MANGA DOCINHA*TEATRO*ABRAÇO FORTE*NOVOS CONTATOS* TELEFONEMA*CONVERSAS*ORAÇÃO*MAIS TELEFONEMAS*CHOCOLATE*AMOR SINCERO***A ESTRELA*** ELOGIOS*NOVAS DESCOBERTAS*DIREITOS DO FILHO*PRESENTES*PROFESSOR BENEVOLENTE*MADRINHA*VELHÃO*JOGOS* *BOLSA DIVERTIDA* PERDÃO*CONSOLO*ALEGRIA DO PAI*BIFE À MILANESA*DESCANSO*CARTA*PICO*PIZZA*MORANGOS COM CREME DE LEITE* CONVERSAS PROFUNDAS*RISADAS*ADMIRAÇÃO*PRAIA*MALABARES* SORVETE*
Por que não olhar para outros ângulos da vida?

domingo, 12 de agosto de 2007

O novo diálogo entre Deus e Eva

Ele sabia.

Ela pensava.

"Tinha todas as opções do mundo... E não tinha nenhuma".

Ele ouviu.

Ela ouviu.

"A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera".

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Afinal, o importante.



O importante é a rosa
(Gilbert Bécaud)
Você que anda no vento
Sozinho na cidade grande demais
Com a amargura tranqüila do transeunte
Você que ela deixou
Para correr na direção de outras luas
Para correr na direção de outras fortunas
O importante...
O importante é a rosa
O importante é a rosa
O importante é a rosa
Acredite
Você procura algum dinheiro
Para fechar sua semana
Na cidade, você passeia rebolando
Pândego, pôr-do-sol
Você passa em frente dos bancos
Se você é só pândego
O importante...
O importante é a rosa
O importante é a rosa
O importante é a rosa
Acredite
Você, pequeno, que seus pais
Deixaram sozinho na terra
Pequeno passarinho sem luz, sem primavera
Na sua jaqueta de pano branco
Faz frio como na Boêmia
Você tem o coração como na quaresma
Porém ...
O importante é a rosa
O importante é a rosa
O importante é a rosa
Acredite
Você para quem, na base do troco,
Cantei estas linhas
Como para te fazer um sinal por acaso
Diz por sua vez agora
Que a vida só tem importância
pela flor que dança
Sobre o tempo
L'important c'est la rose
L'important c'est la rose
L'important c'est la rose
Crois-moi


sábado, 14 de julho de 2007

Mariana


Filomena resolveu conhecer a casa de crianças abandonadas e portadoras de deficiência mental. Autistas, portadores de síndrome de Down, disléxicos, esclerosados. Doenças que nem ela mesma sabia que existiam. Estava lá por curiosidade, compaixão, orgulho próprio e porque tinha de relatar a tal experiência na faculdade. Em meio a tantas intenções híbridas, entrou e pensou “quero amar essas pessoas”. Bem sabia que, mais difícil que amar aquelas pessoas, era amar o seu dia-a-dia e aqueles que o acompanham. Mas acreditava que, lá, poderia aprender mais sobre o amor.
Ao entrar naquele lugar, a primeira impressão que teve foi de estranhamento, medo. Sentia que estava com um bando de loucos. Algumas crianças tinham tantos tiques que pareciam estar encenando uma comédia. Ou uma tragédia. Filomena, tomada por uma grande aversão, se atemorizava com aquele cenário.
“Quero amar essas pessoas”, decidiu.
Como quando passa um vento, teve a idéia de encarar cada um como um único mundo, ao invés de enfrentar diretamente o coletivo que tanto a assustava. Foi assim que conseguiu, na sua limitação, conhecer, entender e amar cada um dali. Ao entrar numa sala, via uma criança e olhava-a nos olhos. Reconhecia nela um universo. Reconhecia-se nela. Já não sabia mais se o paciente não era o “louco” que imaginava ou se, na verdade, era ela a insana. Passou a perceber que, no fundo, doentes ou sãos, todos somos o mesmo.
Encantou-se com muitos dali. Sentiu maiores dificuldades de amar outros, sobretudo os mais agressivos.
Depois de tantos encontros especiais, Filomena conheceu Mariana, uma menina de doze anos que tinha convulsões constantemente. Ela era esperta e boa, mas as crises a deixavam perturbada, tiravam-lhe a paz.
Mal tinham acabado de se conhecer, Mariana começou a entrar numa crise convulsiva. Filomena, tomada de compaixão, sentou-se no chão e deitou a cabeça da menina em seu colo. Passou a afagar-lhe os curtos cabelos e pedir, incessantemente, à Estrela da Manhã, que a acalmasse, que a tirasse da crise, que lhe trouxesse a paz. Cada carícia na cabeça de Mariana era uma conta no rosário. Cada respiração da enferma, uma oblação.
Aos poucos, a Estrela da Manhã aliviava a dor de Mariana, acalmando-a, acalentando seu coração. Paulatinamente, a respiração de Mariana voltou a normalizar, seus músculos já não estavam mais rijos e a paz reinava em sua alma, iluminada por aquela Estrela. Filomena experimentava a alegria de amparar alguém e compartilhava da paz que sua nova amiga conquistava.
Filomena jamais esqueceria daquele dia. Aprendera que mesmo os mais imperfeitos como ela poderiam iluminar até o mais fundo dos oceanos, se assim quisessem e acreditassem. Vivia a certeza de que todos poderiam alcançar mais que a Estrela, mas a própria Manhã, embora soubesse que ela mesma ainda estava muito longe dela.
Filomena, naquele dia, experimentou, de maneira especial e verdadeira, um pedaço do que é a felicidade.

(No momento, Filomena está triste. E não quer alegrar-se. Porque alegria traz esperança, e a esperança, decepções. Rezem por ela).

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Aff...

"Sonhar com: Dente
Fracasso amoroso, aborrecimentos, prejuízos financeiros".
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"Dentes - Os dentes representam os parentes, a família, as pessoas íntimas, a interpretação profana... Esotericamente, os dentes são armas de defesa e ataque de que está dotado o que sonha e, por extensão, sua capacidade de construir e realizar, vencer, elevar-se social ou profissionalmente. Sonhar que está arrancando dentes significa que lhe estão sendo tiradas as possibilidades de luta, a inibição ou derrota. Dentes cariados sugerem doença; falhas nos dentes, prejuízo; dentes quebrados, acidente. A tradição árabe atribui aos dentes superiores a representação onírica dos homens da relação do que sonha; enquanto as mulheres estão representadas pelos dentes inferiores. Sonha que escova os dentes é sinal de que os sofrimentos e inquietações por que passa serão detidos e a vitória ocorrerá em sua vida. Do ponto de vista da psicanálise, os dentes representam as muralhas de defesa contra o mundo exterior".
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"DENTES
Outro símbolo de agressividade, vitalidade e energia. Se eles caem, indicam doença ou falecimento de alguma pessoa próxima. Se um dente cair na nossa mão, pode sugerir um nascimento. Se eles estão sãos e limpos, indicam aumento da sua influência pessoal ao seu redor. Se estão sujos, expressam vergonha em relação a algum membro da família. Se os dentes são belos e bem dispostos, significam bons presságios, aumento de poder e riqueza. São também sinônimos de saúde. Dentes cariados fazem temer a perda de um parente. Pouco limpos, é que existe um elemento vexaminoso [sic] na família. Enfim, malcheirosos, anunciam discussões familiares. (...) Cuspir os dentes corresponde a transtorno inspirado por calúnias. Quem sonha que está desdentado, ficará como o único sobrevivente da família. É sempre sinal de mau agouro sonhar com dentes, pois denota- complicações de toda espécie, brigas e discussões. Sonhar que estão caindo é medo de perda de libido".
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E quando você sonha que comeu parte da arcada dentária de um pirata do Caribe (que não é o Jack Sparrow)? Foi lá, tirou um pedaço dos dentes dele, com colherinha e tudo, tal qual se faz com um pedaço de pudim?
Pois é...




quinta-feira, 28 de junho de 2007

Lá vem ele!



El-rei!

Festival de Dança de Joinville - 18 de julho.
Teatro Municipal do Rio de Janeiro - 20 de julho.
Teatro Municipal de São Paulo - 24 e 25 de julho.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

"Always look on the bright side of life"...

Ok, meu post anterior foi demasiado "estressadinho". Mas não vou tirá-lo. O que está escrito, está escrito.
Pois bem. Chupinhei este vídeo do comment do blog alheio.É muito BOM!

Tá estressadinho?
"Always look on the bright side of life"...

Reparem no comentário da Nati no MSN:

"Nati diz:
Eles balaçam o pezinho!"

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Amadurecimento

Não confiar nos "coleguinhas".

Burra.

Burra.

Burra.

[Cristina, não xingue os animais]

(...)

Burra!!!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Adversário

Sinto uma particular compaixão pelos políticos.

De um lado, pessoas que os odeiam, de outro, bajuladores.

São poucas as pessoas que os amam de verdade.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Vez ou outra















Vez ou outra dou corda na caixinha de música
que minha tia me deu
Fecho os olhos e deixo a bailarina rodar mais
sobre a superfície de espelho

Me angustio tentando adivinhar
a hora em que as notas vão decidir se congelar


Vez ou outra ressoa na minha mente
a palavra que li no texto alheio
"Briluz...briluz...briluz"


Vez ou outra meu coração fica apertadinho
por sentir os afagos que recebe
E agradeço a Deus por colocar
anjos no meu caminho

[In media res]


suaves, leves, serenos,
tão plenos, cheios de alegria!


Vez ou outra minha alma briluz
anjos no caminho
que só agradecimento


"Sua beleza está hibernando"
Ela quer briluz.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Menaginha;)


Da sorte - Olhos
que não mentem
nem de dia, nem de noite
a dor que sente


Da passagem - Saudade
da gentil amizade
Coração que parte
bem na parte que não tinha


Do correto - Inteira
de volta na metade
visível verdade
Sonho que parte

Do *Infinito*



Boa viagem, Biocaaa! Voltem felizes e cheios de histórias!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Engatado

Querido diário,


Eis que volto a escrever-lhe!


Hoje não foi fácil, entrou um cisco no meu olho. É o efeito das mensagens automáticas, tão logo surja outra oportunidade na qual meu perfil se enquadre.

Mas não é disso que eu quero falar. É em razão de meu pequeno, nascido há seis meses e dez dias e batizado 21 dias após ter vindo ao mundo. Filho de três mães zelosas, de mais uma que sempre o desprezou e de um pai que o renegou. Afilhado de três padrinhos doutos e exigentes.

Gerado com muito amor, carinho e suor, hoje, 1o de junho de 2007, começou a engatinhar. Mamar, mamou muito. Chorar, nem se fale. A ponto de as três mães zelosas já não serem mais tão esmeradas assim. No entanto, hoje, engatinhou! Não foi num chão macio e felpudo como eu gostaria que fosse, mas num limpo, simples e aberto- lá tem bastante espaço para ele brincar!

Confesso que me dá dor no coração vê-lo assim, tão desengonçado o coitadinho! Vai sofrer nas travessias do mundo. Vai ter de encarar as ciladas da vida. Vai se expor, se desgastar, correndo o risco de ter seu currículo mantido no banco de dados, tal qual o da mãe zelosa.

Mãe sofre a amargura de ver seu filho nas mãos do mundo. Mas é ela quem o incentiva a atirar-se. Lançando-o, ela se mesma é que se joga. Porque ele é lindo, porque é seu bem, merecedor de muitos ciscos no olho.

Tinha de contar-lhe essa alegria, essa dor. Do rebento dileto e mimado.

Quanto ao cisco no olho, acho que o engoli, e ele entalou na garganta, embora minha experiência tenha sido classificada como satisfatória.

A essa altura, querido diário, você já deve estar entediado com minhas historietas de um filho “Frankenstein” e de um cisco que engoli pelos olhos. Compreendo, vou deixar-te em paz.

A bientôt, mon petit chou! Demain, j’ai des classes.

Bisous,

Cris

quarta-feira, 23 de maio de 2007

segunda-feira, 14 de maio de 2007

No mais.

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem"


Parada, durante mais de uma hora em pé, uma multidão ouvia, calada e cansada, palavras de amor e bondade. A voz de quem as proferia era enjoada e cansativa, o cheiro da pipoca insultava a fome, a fetidez do bueiro provocava a paciência. Não havia nada demais, nem um homem carismático, nem uma música bonita, nem uma apresentação agradável. Mas aquelas pessoas permaneciam ali. Ávidas por palavras de amor e de bondade.

“Nossa, amiga, pensando bem, existem muitas pessoas boas no mundo. Tanta gente aqui agüentando tudo isso, por acreditar em algo maior”.
“Sim, tem muita gente boa mesmo...”
“...”
“Mas nem todas são corajosas. Se todas as pessoas que estão aqui tivessem coragem para fazer diferença, o mundo seria muito melhor”.

Não muito tempo depois, o Papa Bento XVI veio ao Brasil. No estádio do Pacaembu, foram 35 mil; em Aparecida, 150 mil; e, no Campo de Marte, um milhão de almas em busca de palavras de amor e de bondade.

Resta saber quantos têm coragem. Os que foram, os que ficaram, os que queriam ou não estar lá. Coragem pra dizer e viver o que acredita. Para decidir e ir atrás, ainda que o tombo seja forte. Para dizer não. Para dizer sim. Para fugir e para bater. Para gozar e para sofrer.
Para ter mais fé e menos “politicagem”. Para viver a castidade. Para não engolir tudo o que a mídia nos impõe. Para entregar a força e a beleza da juventude (e ganhá-la mil vezes mais!). Para propagar o conhecimento. Para erradicar a violência. Para doar-se aos demais. Para esquecer de si. Para amar: eros e ágape.


Ter coragem é viver a vida.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

É Ela!


(Foto: Martha Lange)


É Daniela!!!

Eu amo essa foto! E eu amo essa amiga, tão querida!

Saudades do ano passado, em ritmo freak out, sim, mas a gente se divertiu e aprendeu muito também!

Hoje você fica mais velha, com mais maturidade pra conservar a criança mais linda dentro de si!

Você faz muita falta!!! (Apesar de a gente até se ver bastante!rs)

Feliz Aniversário! "Brilha onde estiver"!!!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Brincadeira de criança

Quem não se lembra do Jogo da Vida, do Banco Imobiliário ou do Detetive? (Se você é pivas, pegue seu iPod e dirija-se ao blog ao lado).

Pois é, o mundo “real” não é muito diferente. Gente grande brinca de assinar acordos, de fazer investimentos e de criar protocolos. A única diferença é que esses joguinhos, por vezes, envolvem muito, muito dinheiro.


- Um dinheirão! Uia! Daí os adultos dizem que é tudo de verdadinha!
- Mas é tudo de mentirinha, não é?
- Shhhhhhhhh! Não conta pra eles, não vamos estragar a brincadeira!
- All right. Keep the change.
- Minha mãe não deixa.

(...)

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Sing for the year!

(Foto: Bianca di Benedetto; Bia™ Hurricane; Bia Bittencourt; Bioca...)

Cheiro de clássico, de memória, de nostalgia. Gosto de moderno, de entusiasmo, de adrenalina. O show do Aerosmith foi sensacional!

Velvet Revolver, que fez abertura, mandou bem. Ou, no linguajar deles, they were fuckin’good. Além do mais, sempre quis ver o Slash tocar. E o Scott Weiland, com sua calça tomara-que-não-caia, me fez dar boas risadas. (Aos amiguinhos eu-não-ouço-banda-comercial: desculpem os comentários “rasos”).

O Steven Tyler demorou a entrar... Deve ser porque estava caprichando no pancake, na chapinha e no lápis-de-olho. Tudo isso somado às plásticas, às luzes no cabelo e ao bronzeamento artificial que ele deve ter feito especialmente para a vinda ao Brasil.
Mas não foi em vão. Afinal, o quase sexagenário mantém a jovialidade que o público pede no palco. E, mesmo sendo feio (sim, feio)...How sexy he is! Oh, yes, he is!!! O que é aquela boca? Aquela voz? Aquele vento nos cabelos? E toda aquela performance e presença de palco?

Sem falar no Joe Perry. Mesmo loucão, jamais perde a elegância. Arregaçou – literalmente – na guitarra! Como ele consegue uma melodia que faz sentido, chicoteando um pobre instrumento musical com a camisa? Alguém me explica?

Pois é. O guitarrista não teria brilhado tanto, se o vocalista não reconhecesse a luz do companheiro e não saísse do palco. E o fulgor de Tyler não seria tão forte, se ele não tivesse essa nobreza. Uma atitude tão simples, mas tão admirável. Raridade.

Falando em luz, que emocionante a generosidade da platéia acendendo os isqueiros e ligando os celulares em “Dream on”! Nada de novo, mas não deixa de ser tocante. O público também era espetáculo.

A banda estava perfeita. "Janie's Gotta a Gun", "Living on The Edge" e a que não poderia faltar “Cryin’”. Surpreendeu com “I don’t wanna miss a thing”. É verdade que faltou “Crazy”, “Amazing” e “Pink”. Sobrou conformismo do público no final. Mas nada que prejudicasse a grandiosidade do espetáculo.

Um evento inesquecível. Pelo show que nos encheu de alegria e nos fez esquecer todas as nossas mazelas por alguns instantes. Pela companhia e o carinho de amigos especiais - a melhor parte de tudo isso –, apesar da falta de alguns.

Foi bom demais! Tão bom que dá tristeza. Que dá arrepio só de lembrar. Que não me fez resistir ao clichê de escrever aqui sobre essa noite mais forte e mais intensa que tantos dias!

"And dream until your dream comes true..."


terça-feira, 10 de abril de 2007

Manhê, eu quero!!!


É ele que eu quero!

(...)

Quando eu crescer, vou casar com o Calvin!;)
(Haroldo, você será o padrinho!)

sábado, 7 de abril de 2007

A última tentação de Cris...

No dia da Paixão do Senhor, os carrinhos de pipoca exalam um odor ainda mais inebriante na porta da igreja.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Lôôôôcooo!

“Tá explicado porque quiseram cortar a cabeça de Luís XVI e de Maria Antonieta”, pensava eu, durante o filme, descobrindo o óbvio ululante.

Embora Mme. Coppola tenha pintado a delfina de cor-de-rosa, chega a dar ânsia todo aquele desperdício de pompa e luxo no palácio de Versalhes. Ainda mais sabendo que resto da França morria de fome.

Tinha acabado de sair da Reserva Cultural, depois do meu impulso já-que-estou-na-paulista-vamos-dar-uma-de-cult, quando resolvi entrar na Cásper, para pedir meu diploma. Aproximei minha carteirinha do leitor da catraca: “aluno bloqueado”.

- O quê? COMO assim?
- A partir do momento em que você colou o grau, sua carteirinha não tem mais validade na instituição. A gente precisa telefonar na secretaria para autorizar sua subida.

A minha vontade era invadir a sala da diretora à la girondina (ou jacobina, se preferir). Mas lembrei que era brasileira, não francesa.
Pra que discutir? A gente dá um jeitinho! Eu só quero meu diploma mesmo!
Pois é.

Tá explicado, porque eu tenho a sensação de ser uma completa imbecil toda vez que grito, junto com o a bateria da faculdade, “Eu sou mais Cásper!”.

Tá explicado, também, porque a torcida do “exército vermelho” se empolga muito mais no “Lôôôcoooo, lôco, lôco, lôco, lôcooo...”.

Eu fui da Cásper.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Desmancha

O palhaço se pinta
o palhaço sorri
pasta branca e batom
o nariz feito rubi



A platéia se encanta
a platéia aplaude
pulos e gritos
a alegria em seu auge



O artista se deprime
o artista mente
lágrimas e gemidos
a arcada aparente



O público se espanta
o público duvida
ouvidos e lábios
a verdade invalida



E a criança percebe
E o ator se lava
E ninguém mais entende
O que o poeta cantava



sexta-feira, 23 de março de 2007

domingo, 18 de março de 2007

Uns tomam éter...eu tomo ironia!

Querido diário,

Sim: querido diário. Não, esse blog não tem o intuito de ser uma exposição virtual do meu cotidiano. Mas antes acusem que ele o seja, já o faço de pronto.


Como você sabe (os diários são oniscientes), nunca gostei dessa história deixar publicamente tudo o que acontece com a própria intimidade. Quer registrar a memória? Escreve só pra você. Quer ser ouvido? Conte aos amigos. Não tem amigos? Pois, faça!


No entanto, estou aqui, neste exercício um tanto quanto esquizofrênico, escrevendo para ser lida. E por que não? Porque sim. Porque me deu vontade. Como dizem os franceses, parce que. Sobre o quê? Sobre o que eu quiser. Novidades, reflexões, poesias, desabafos, opiniões, queridos-diários(!!!)...cultura e bobagens.


E você, meu caro leitor, espero que se divirta por aqui. Comentando ou não, fico feliz pela ilustre visita. E se não gostar, dou-lhe um piparote e prossigo faceira.


Ok, prometo não dar uma de engraçadinha sempre. Eu acho, né (é melhor não prometer nada aos diários)...

Antes que a esquizofrenia se agrave, já me despeço. Não será “com a pena da galhofa e a tinta da melancolia”. Afinal, como uma boa menina doce e meiga que sou, não o deixarei sem os meus

Beijinhos azuis,

Cris