quinta-feira, 29 de maio de 2008

12/06

A jornalista Carla C. me mandou esse e-mail sem querer:

Caros assessores de imprensa,

Parem de me mandar press releases sobre o dia dos namorados. Não vou dar nem uma nota.

Grata,

C. C.

Curta e grossa a Carlinha, não?


domingo, 25 de maio de 2008

Abbà

Attende, domine, et miserere, quia peccavimus tibi.
Que posso fazer, meu amor?
Esses olhos tão tristes
Que posso fazer, por favor?

A palavra afasta
Os afagos repelem
A prece escasseia

Que posso fazer, meu amor?
Esse corpo tão dolorido
Que posso fazer, por favor?

Não deixe a rosa dilacerada
Não deixe a cria angustiada
Não deixe a lágrima petrificada

Que posso fazer, meu amor?
Essa raiz tão destroçada
Que posso fazer, por favor...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Nenê nini

Querido diário,

Faz tempo, hein, garotão?
Pois é. Ganhei outro filho. Ao contrário do irmão, este eu não gerei, já veio pronto na cestinha, na porta de casa. Há seis meses eu já fazia o enxovalzinho dele e nem sabia que seria meu.

Já o outro, não sei que fim teve, só sei que o gerei. Ficou lá, presinho na gaveta do tempo, respirando o pó da saudade. Às vezes abro uma frestinha da gaveta, para ver se ele ainda se mexe. Eu mesma faço com a cabeça que sim, e esse balançar engana a visão e me dá a impressão de que ele ainda vive. Quiçá.

Mas é do novo que tenho de lhe contar. Deus é um piadista, você sabe? E, pois, que esse bebê veio das mãos do oponente. Não direi inimigo, porque com inimigo não quero papo, nem filho, nem sobrinho.

Este veio depois que deixei o circo. Aquela tenda de horrores. (Bem é verdade que sinto saudades de meus amigos palhaços, mas o que se há de fazer? O sol há de brilhar para eles também.)

Tão lindinho meu pequeno! Mexe os bracinhos me pede colo, me olha com os olhos puxadinhos, que me fazem lembrar da prisão, onde deixei meu carinho eterno.

Olho para meu pequenino, fruto da anedota divina, e penso no meu desespero de mãe. Não tenho leite para amamentar, não fiz pré-natal, não gerei, não pari. Não sei cantar canções de ninar, não sei embalar, aquietar o choro.

Só sei que o aceitei, e é assim que tem de ser. E como podia ser diferente? Ele já veio pronto, já meu, me pedindo colo, querendo meus afagos. E eu dei. Agora é esperar que ele cresça, se desenvolva e deixá-lo andar sozinho, pra mais tarde, a mamãe pode nadar em águas mais profundas.

Beijo, nego!
Cris

domingo, 4 de maio de 2008

Xô te contar

Concurso de contos no Estadão.

Tema: última frase da canção Chega de Saudade ("Não quero mais esse negócio de você longe de mim")

Até três mil caracteres. Quero ver o teu poder de concisão. Rá.

Mais informações aqui.