segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Entre vós

"Qualquer amor é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura"

Eu prefiro os loucos. Não você que se acha diferente e quer contestar todas as regras da sociedade. Não você engraçadinho. Não você de piercing na veia, horta no cabelo e amante de um tiranossauro rex. Não você que acha tudo normal.

Eu estou falando do louco louco mesmo, lelé. Pinel. Tantã da cachola. Esse que se mexe sem parar em movimentos desconexos. Esse que anda pela rua, gritando que é Napoleão. Esse que cheira pinga de arder o nariz. Esse perturbado em camisa de força. Esse que grita palavrões no trem. Esse que assusta.

Esse aí que incomoda.

Eu prefiro os loucos. Que mostram um pouquinho, por contraste, que alguma coisa está fora da órbita mundial. Que nos revela a inconstância e o desequilíbrio dos nossos atos. Que evidencia a nossa insignificância. Que pesa na nossa ressaca mental. Que denuncia a nossa falsa liberdade. Que insulta-nos com a verdade sobre nós. Que faz termos medo de nós mesmos.

Que revela a insanidade que acomoda.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A José do Patrocínio

Sabe, meu velho, não faz muito tempo, conheci um menino. Bem pequenino. De cabelos no vento e cachecol. Bem onde estava, olhava para o chão e via o céu. Ficava silencioso, e não se sabia se estavam o agradando ou não.



Dali a pouco, colhia pedras de diamantes. Via milhares, mas pegava no máximo três - só assim elas brilhavam mais. Pegava-as como quem pega bolinhas de gude. E, calmamente, colocava-as em minhas mãos, uma a uma, sem pressa. Sorria-me sutilmente. Olhava-me profundamente. E seguia leve nas poeiras do vento.



Desde então, ele prossegue seu gesto, repetidas vezes, trazendo pedras novas.



Quando ele demora, sinto a falta desse menino – não são raras às vezes. E toda vez que choro seu silêncio, olho para o céu e vejo-o pisando sobre as estrelas, caçando-as para mim. E aceno reluzente para ele a sua espera.


Marina Faria

sábado, 18 de outubro de 2008

Epístola

Caro Ari,

Escrevo-lhe para dizer o quão sofrível é a vida de um idealista. Não é fácil de certo. Nós imaginamos um mundo e pomos nele a verdade. A Verdade. Nós acreditamos num amor que jamais saberemos viver. Ah, quem me dera amar do tamanho dos meus desejos!

Nós lemos livros inteiros que, de fato, não passamos da página vinte. Nós vasculhamos o inconsciente e ficamos à mercê das garras da neurose.

Vale dizer, por justiça, que nosso sorriso é mais farto ao olhar para uma estrela e que nosso choro é mais penitente ao se deparar com uma ferida aberta. É verdade que nossos doces têm mais sabor, que nossas palavras confortam mais e nossas buscas são mais motivadoras.

Mas também é certo dizer que o medo nos assola, que nossa autoconfiança se esconde no quartinho escuro de casa e que nossos anseios vivem com delírios febris. Dia e noite, noite e dia. Quem me dera ser como você Ari. Vai e faz. Que não pensa, age. Que não reclama, espanca a dor. Que não ri, goza do sabor.

É claro que gente como eu não existe. E é claro que você também deve ter a suas dores. Daqueles que confundem suas palavras, com suas inconsistências, suas frivolidades, suas mediocridades. Ah! Deus me livre os medíocres!

Fosse eu homem e você mulher poderíamos ter um filho. E desse fruto uma realidade com sabor e cor daqueles que conseguem por seus ideais em prática. Daqueles que lêem até a última página.

Daqueles que devoram o conhecimento e vomitam atos de afetos. Deixe-me aprender um pouco contigo. E esse aprendizado já será uma troca.

Saudades, meu velho.

Seu amigo,

Plá.

domingo, 12 de outubro de 2008

Digital life is over

Acabo de fazer uma ligação...E...hum...Se eu tivesse um Twitter (não, eu não pretendo fazer, minha cota de perdadetempismo na Internet já estourou), neste momento, eu colocaria a seguinte frase:

"Se você for fazer coisinhas com seu parceiro(a), por favor, desligue o celular"

Evitaria constrangimento de ambas as partes, não acha?

Grata,

C.C.

Hunf.