quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ninguém estraga o nosso samba

Salve, meu velho! 

Mas já vai embora? Pra que a pressa?

Pois antes que desapareça de vez, saiba que não guardo raiva alguma de você. Talvez um cadinho de mágoa – que tende a desaparecer com cavouco no coração. Mas isso é só para a tristeza chamar a poesia.

            Agora, senta aqui, chega junto, prum tantinho de prosa. Aumenta o samba, pega um copo de cerveja. Não, obrigada, não sou de bebida amarga.

            Neste samba do crioulo doido, é só música, não tem canção. Foi você quem me ensinou isso, que quanto mais a boca fecha, mais ainda a alma quieta. E no silêncio sai o bom.

            Que calada mais falo, que palavreado nenhum tira calo.

            Já vai tarde, meu velho! A boa nova já tá aí: mansinha e faceira, sorrindo para mim.

            Você bem que tentou, meu velho, ser pior que diabo manco. Mas Deus quis que fôssemos parceiros. E, juntos, mais o novo, vamos de mãos dadas, se despedindo e saudando, com tolerante malemolência, na maciota do perdão.

            Na terra do Sol, já vai tarde, meu velho, quiçá reste a saudade, pro meu samba ganhar força.

            Mais me dê esse gargalo,  ao menos dois dedinhos da caninha, que até eu que num sou de beber, vou brindar o futuro com a garganta alongada!

            (E tenho dito!)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Convitinho


Selo [e] da Annablume Editora e Bar Barão da Itararé
convidam para o lançamento do livro organizado por:

Julio Groppa Aquino
Elisa Vieira
Bartira Ibri


Miríade 290
O que pode a escrita

Dia 07 de dezembro de 2009, segunda-feira, a partir das 19h30.

Bar Barão da Itararé

www.baraodaitarare.com.br

Rua Peixoto Gomide, 155 - São Paulo - SP

(11) 3237.2047

Formato: 16 x 23cm, 127 páginas

ISBN: 978-85-63141-04-0

selo [e] editorial


222 escritores.
400 textos breves.
Um livro-experiência.
Um livro-elogio à escrita.

Um livro-amizade à criação contente.


Dentre eles, 4 textinhos são meus ;)



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

=)

Olá, pessoal!

Criei um fotolog para postar fotos que quebram um pouco o óbvio e acabam abrindo a cabeça.

As imagens devem ter:

- Beleza;
- Quebra de paradigmas;
- Bom-humor!

A ideia é que sejam postadas fotos toda terça-feira! Se alguém tiver imagens que se encaixam nesse perfil, é só me mandar por e-mail, tá?

Deem uma bizoiada de vez em quando!...O humor é maior ;-)

domingo, 8 de novembro de 2009

A vez é dele!


Ou melhor, deles! Hoje, Chrysaliis cede espaço aos Incomodados em homenagem ao nosso querido aniversariante, Peri!


Falar do Peri parece fácil, mas é difícil. Um coração enorme, apaziguador, ser humano único e incomparável, não temos o mesmo sangue, mas temos muitos sonhos em comum, isso já é o suficiente para eu considerar você meu irmão. Faltam palavras para dizer o quanto você é especial. Parabéns meu velho nesse dia, que você seja
feliz todos os dias! Com AMOR! Dimi


Aaaaa, me desculpe, mas essa coisa de 4/5 linhas me deixa tensa! Então se foi 13!!!

Peri, uma vez Tom (o Jobim saca?! Brother meu...), em umas de nossas empreitadas etílicas, rabiscou num papel de mão, algo que eu enxerguei vc!

"...é bom sentá-lo novamente ao lado
com olhos que contêm o olhar antigo
sempre comigo um pouco atribulado
e como sempre singular comigo.
um bicho igual a mim, simples e humano
sabendo se mover e comover
e a disfarçar com o meu próprio engano.
o amigo: um ser que a vida não explica
que só se vai ao ver outro nascer
e o espelho de minha alma multiplica..."

...E como já é de praxe, o parabéns é hoje, mas a felicidade é sempre q desejar!Amo viu! Pio!


Sabe, acho extremamente difícil de escrever uma mensagem para alguém como você, Peri.

Sabe, é muito fácil falar sobre algumas pessoas, qualidades e defeitos, mas sobre você, acho extremamente difícil falar, pelo simples fato de que olhando para você, hoje, vejo o homem que você se tornou e ainda está se tornando, e eu posso falar, tá ficando cada vez mais bonito meu bom.

Quarta estava olhando umas fotos em casa e vi fotos nossas quando éramos mulekes...(vírgula, olha vou falar que nois era feio demais... tudo bem, vc ficava melhor com mais cabelo, eu era magro pra caramba, mas acima de tudo, eu tava ridículo...kkkkk)

Acho que com todo esse tempo que nos conhecemos, eu posso te dizer:

Pensando em tudo o que já passamos, acho que só posso te agradecer, você me levou para o caminho certo tantas vezes na vida que eu até perdi a conta. Devo ter uma dívida eterna contigo, mas pode deixar, uma hora nesse mundão de Deus eu pago essa dívida.

PARABÉNS PERI, VOCÊ MERECE TUDO DE BOM QUE ESTÁ TE ACONTECENDO, E QUE SEMPRE ACONTEÇAM COISAS CADA VEZ MAIS MARAVILHOSAS PRA VOCÊ.

TENHO UM PUTA ORGULHO DE SER TEU AMIGO. Beijos, Daniel Pierini Martins


Meu menino, meu melhor amigo, meu grande amor! Hoje, agradeço à Vida por ter me dado, para caminhar ao meu lado, alguém cheio de luz, que sabe agradecer e perdoar, que está sempre disposto a ouvir sem julgar. Que reconhece os erros e quer ser maior. E, por isso, é grande!

Manso e terno, enxergou quem eu sou e sorriu quando me viu. De mãos dadas, trazemos um amor imenso e, de tão verdadeiro, livre. Sinta o peso dessas palavras e saiba o quão leve é estar ao seu lado!

No seu aniversário, desejo-lhe só a felicidade. Eu te amo. Cris


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"Eu não apanhei, só dei narigadas na mão dele"

Você já parou para pensar que o juízo que você faz ou que fazem desta ou daquela pessoa pode ser mentira? Ou, então, uma partezinha tão pequena da verdade que se torna pior do que uma mentira deslavada?


Pinocchio, Sara Kriistina Albrecht

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Papai é alternativo

“Chico Buarque é chato, pai.” “Espera até você ter 20 anos, filha”. Quando era criança, eu achava as canções da chamada MPB meio entendiantes, e o samba tão brega quanto o pagode. Cartola e Pixinguinha, então, nem pensar! Enquanto isso, colocava o LP dos "Saltimbancos" bem alto na sala e ficava me deleitando e interpretando seus personagens, dando uma única trégua ao chato do Chico. Também gostava de “O Grande Circo Místico”, mas só por causa da música da bailarina.

Eu também costumava achar literatura uma matéria imbecil. Por que eu tenho de estudar sobre livros? Livros eu tenho de lê-los e os que quero, não por imposição. E como se não bastasse, aniversário após aniversários ganhava livros de papai. O meu presente predileto foi aos 17. “À Cristina, aos seus 17 anos, para que nunca perca a poesia”. Desde então, Fernando Pessoa não saiu mais da minha cabeceira. Foi justamente nesse ano que literatura passou de a matéria mais inútil para a minha predileta.

Não tardou muito tempo, ouvi “Valsinha” de um professor de literatura, um dos caras mais estranhos que já vi. Mas foi ele quem fez me apaixonar pelo Chico e, sem perceber, estava gostando de samba e das ditas MPBs. E de jazz. E das coisas ultrapassadas que meu pai sempre me apresentava.

À minha família devo infinitas coisas. É inegável a boa cultura (ou aquela que considero boa) que recebi do meu pai. Ele é engenheiro e é a pessoa que mais lê, para para ouvir música em frente ao aparelho de som e assiste a clássicos dos cinema em casa. Indubitavelmente.

Há pouco tempo, topei com faapianos do cinema. Esses aí super excêntricos e...alternativos! E eles tinham óculos do tempo do gramofone iguais aos do meu pai! Foi aí que pensei, “Taí, papai é um alternativo autêntico”, porque ele usa esses óculos desde antes de começar e deixar de fumar cachimbo.

Bem, eu não tenho a menor pretensão de usar óculos. Meus olhinhos vão bem, obrigada. Muito menos os iguais aos do meu pai. Mas pretendendo ouvi-lo mais vezes, que meu preconceito não me impeça mais de conhecer o lindo universo do “alternativo” mais autêntico do mundo. Do meu mundo!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

De mansinho

O meu amor chegou de mansinho, inofensivo, despretensioso. Mas, nem por isso despercebido.
Como água que toca os pés descalços, calejados de tanto andar. Pés sensíveis e independentes. Pés que não conseguem estar parados, que buscam, a todo instante, um chão para pisar, um espaço a percorrer, uma coluna para o corpo sustentar.
O meu amor foi crescendo dos pés ao calcanhar, descobrindo minhas couraças, medos e inseguranças, sem me julgar.
O meu amor tocou minha cintura, deixando-me flutuar com as pernas bambas, não me deixando mais ver o chão.
O meu amor gelou minha barriga (ele faz isso a todo instante), lembrando-me o quanto dá medo amar.
O meu amor invadiu meu peito, dizendo que tem pressa para chegar.
O meu amor imergiu-me inteira e desmanchou-me a razão, mostrando que a vida é muito curta para em águas mais profundas não querer navegar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Especiarias

Cavando a agulha nesse tecido putrefato,
lembro do nosso primeiro beijo
Doce, manso, delicado
Linha, após linha, sangue, conflito e desato

Sepultando o cheiro desse pobre moribundo,
rogo-lhe uma prece
E, da uva e do trigo diários,
seus suor e cabelos comungo

Nutrindo a boca desse rejeitado faminto
ouço suas palavras enamoradas
Acalento, carinho, veracidade
De colheradas, vai se apartando a saudade que sinto

Banhando esse corpo roto e desnudo,
vejo condensada a imagem de seu rosto
E, da branda memória pelo vapor do calor,
sem piscar, vejo-lhe em pé, na minha frente, mudo

E o mundo cai.
R
od
opio
...Desvario em noite clara!
E enxergo, em madrugada fresca, todas as estrelas que não mais contava



Misericórdia - Acrilico sobre Paraná - Patrícia Moreira

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Confissões de adolescente

Há quinze anos eu tinha onze, quase doze. Eu comprava aquelas revistinhas fúteis que não tinham texto, só fotos de caras famosos e bonitos. E, sim, eu vou queimar o meu filme, o meu preferido era o cantor Jon Bon Jovi. Eu e minha melhor amiga éramos loucas por ele! Tinha um pôster dele atrás da porta do meu quarto e, de vez em quando, lhe dava um selinho. Yes, I gave love a bad name.

E não muito diferente de agora, tinha sonhos e fazia mil e uma novelinhas na minha cabeça. Por ironia da vida, detesto novela. Não apenas porque já bastam as minhas, mas porque as minhas são muito mais legais que os boçais folhetins globais.

Eu sonhava com meus dezenove anos. Quando você tem onze, dezenove é muuuuuita diferença. Ia dirigir o meu carro, ter uma tatuagem de beija-flor na canela, fumar – dirigir fumando, propriamente -, e estaria cursando jornalismo. Teria cabelos compridos até a cintura – e sedosos, de propaganda de xampu – que atrairiam todos os rapazes. Sim, eu seria A mina! Anos mais tarde, eu já seria muito velha. Com uns vinte e poucos. Trabalharia numa redação loucamente e já estaria no meu quinto, sexto namorado.

Hoje, meus sonhos não chegaram a debutar. Porque – graças a Deus! – eles amadureceram. Fumei um cigarro ou outro na vida. A última vez (tirando duas tragadas póstumas de brincadeira, não conta, vai), foi aos dezoito na viagem de formatura do colegial. E eu me senti patética imitando todo mundo. Não tinha percebido isso antes, não foi de propósito, veio assim, do nada. Aviso aos fumantes: não é uma indireta a vocês, eu é que me senti assim, ok? Sentia que estava fazendo só para ser bem aceita, que minha garganta arranhava a semana inteira depois, e que não tinha nada a ver comigo. Confesso que há uma sensação gostosinha de tragar e beber ao mesmo tempo. Acontece que meu pobre coraçãozinho sensível não suporta sensações gostosinhas efêmeras seguidas de dores perenes.

Quanto aos meus cabelos, nunca tive paciência de deixá-los chegar à cintura, as pontas sempre ficavam horrivelmente duplas, ou melhor, múltiplas, antes disso. Não tenho carro - de vez em quando dirijo o da minha mãe -, estou guardando dinheiro para algo maior.

Fiz jornalismo e letras e descobri que a profissão não é tão romântica assim, mas que me inspira sonhos mais bonitos e mais concretos. Levei mais tempo para namorar do que eu imaginava. Insegurança? Provável. Exigência? Quem mandou ser sonhadora! Amante da liberdade? Cada vez mais, a ponto de perceber que estar só não significa estar livre.

E a tatuagem? Bem, desculpe quem a tem (é capaz que eu goste da sua), mas comecei a achar um beija-flor na canela meio brega. Há pouco tempo, eu mesma desenhei a minha e, assim como ela teve hora para ser desenhada, terá hora para ser feita. E é bem capaz que você não perceba quando ela chegar. Porque eu sou assim, petit à petit, caminhando aonde quero sem desejar nenhum estardalhaço.

E daqui quinze anos, onde vou estar? Agora fica difícil imaginar, visto que não me cabem mais sonhos adolescentes, e a experiência me mostra que eu não vou estar muito diferente do que sou agora. E que meus sonhos chegarão amenos, mas surpreendentes, porque os que tenho realizado até agora me enchem de alegria e de esperança.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Só você

Existe um ponto onde nem tudo, nem nada tocam. Nem o mais singelo sorriso, nem a mais espessa lágrima. Nem a paz que a pureza traz, nem a agonia da guerra fria. Nem palavra de consolo, nem a alegria do perdão comovem. Nem o elogio, a calúnia ou a mentira atingem. Não. Nem a fidelidade ou a traição. Nem a beleza de Apolo, nem as festas de Baco, nem o amor de Vênus ou a vaidade da Medusa. Nem o latido de Coragem, o cão covarde, nem o charme de Penélope. Nem as pintinhas dos cento e um dálmatas ou a vileza da Cruela. Tampouco a bravura de Davi, a espada de Artur ou a astúcia de Odisseu. Nem os róseos dedos de Aurora ou os glaucos olhos de Palas Atena. Nem o cinismo de Machado, a prolixidade de Proust ou os neologismos de Rosa. Nem o colo de pé de Cecília, a voz de Sinatra ou a interpretação de Elis. Nem a serenidade de Ghandi, nem o surrealismo de Dali. Nem o prazer gostoso de ver e ouvir o fósforo queimar. Nem o alívio de Gelol em joelho batido, nem o deleite de estourar plástico bolha. Nem coloridas bolinhas de sabão, ou o som infantil da caixinha de música misturado com bolinhos de chuva. Nem chocolate. Nem beijo ou abraço. Nem o silêncio, nem o grito, nem mesmo o vazio. Nem o medo do abismo. Nem a pobreza, a violência e a fome. Nem a inveja e maldade do mundo. Nem meus bichinhos. Nem meus melhores amigos. Nem o amor de mãe, nem a proteção do pai ou o ombro do irmão. Nem meu Bom Anjo, São José, meu Santo Antoninho, João Paulo II ou Santa Teresinha. Nem o doce colo da Virgem Maria. Nem o amor da minha vida nesse lugar habita. Nem eu estou lá. Existe um ponto, em mim, bem preciso e maciço, de compassos constantemente involuntários, onde não tem nada, nem ninguém. Só você.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Divã

- Doutor, li numa pesquisa,... ou não... Num livro... Agora não me lembro! Mas acho que foi num livro...Geralmente, eu lembro do tamanho, da textura e da cor das páginas. O problema é que eu acho que li várias vezes, em vários lugares...

- O que você leu?

- Ah, sim. Que as pessoas, a maioria das pessoas gasta mais tempo pensando em seu passado. Um outro tanto menor, em seu futuro. Quando o ideal era ater-se ao presente. Não que se deva desconsiderar o pretérito e o porvir, você sabe, mas, de fato, é o presente que existe.

- Sim, sim.

- O problema é que eu não gasto meus pensamentos em nenhum desses tempos.

- Não?

- Não, eu vivo divagando sobre a hipótese.

O psicanalista parou, com um sorriso nos lábios, pegou seu caderninho e começou a escrever.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

30 vidas de Bogotá

Uma das coisas de que mais gosto no jornalismo é a entrevista. Para mim, entrevistar é inversamente proporcional a transcrever fitas. O que eu detesto transcrever, e adoro fazer entrevistas! Ao vivo, claro. Como se aprende com o ser humano! É incrível!

Há cerca de um mês, vi uma reportagem na Ana Maria Braga sobre um francês que fez um trabalho maravilhoso com mulheres do mundo inteiro. Confira a linda reportagem aqui (é bonita mesmo, não seja preconceituoso).

Imediatamente, enviei um e-mail para minha amiga Sabrina Duran, que também é jornalista. Sabia que ela ia gostar. Mal sabia o que a bichinha estava aprontando!


Hoje recebi um e-mail dela sobre um projeto que ela fará em Bogotá. Gostaria de dividir com vocês:


“Meninas e meninos,


Entre os dias 27 de julho e 27 de agosto, a cidade de Bogotá terá suas histórias anônimas descobertas, publicadas e lidas por gente da Colômbia, Brasil e, quiçá, de outros países da América Latina.


O projeto 30 vidas de Bogotá é uma parceria minha com o site da revista Trip e nasceu após os dois anos e meio que vivi em Londres, durante os quais me dediquei, entre outras coisas, a escrever perfis de anônimos. Decidi levar adiante - agora em outra cidade - esse interesse por histórias de pessoas que encontro pelas ruas, bares, ônibus e outros espaços públicos.


Durante os 30 dias exatos que passarei em Bogotá, sairei todos os dias às ruas da cidade procurando gente (mulheres, homens, idosos, jovens, adultos e crianças) disposta a me contar uma história pessoal – qualquer história. Com o relato em mãos – além de fotos e vídeos que farei pela cidade –, voltarei pra casa onde estarei hospedada, escreverei a história e a publicarei nesse blog aqui: www.revistatrip.com.br/blogs/30vidas (no ar a partir do dia 27). Cada um dos 30 textos será publicado em português e espanhol.


No dia seguinte à publicação da história, fotos e vídeos no blog, a narrativa será impressa (algumas cópias), numerada e ´´perdida´´ em espaços públicos da cidade – bancos de ônibus, praças, cafés, bares, cemitérios, bibliotecas.


O objetivo do projeto 30 vidas de Bogotá é descobrir e disseminar histórias de gente comum, que tenham um viés lírico, cômico ou trágico, sem a pretensão de que sejam lições de vida para os leitores, mas esperando que reflitam uma parcela da riqueza cultural e pessoal que existe em qualquer cidade do mundo e que, de outra forma, talvez nunca fosse conhecida.


A ideia é que, depois de Bogotá, o projeto 30 vidas passe por outras cidades, ainda a serem definidas, e que podem estar em qualquer continente. O único critério é que nelas existam pessoas e suas histórias.


Acompanhem!


Beijo,


Sabrina”

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sem nuvens


Imagem: Eduarda

Segundo o dicionário online Houaiss, a palavra sereno vem do latim: "serénus,a,um 'sereno, puro de nuvens, calmo, sossegado, tranquilo, quieto".

Também cheguei a ler que a pessoa serena é aquela que pode ver os astros, o que não deixa de ser uma verdade em decorrência de sua etimologia. Se é puro de nuvens, pode ver o céu e todas as estrelas que ele nos apresenta.

Hoje em dia (ou será desde sempre?), acredito que uma das maiores virtudes a serem almejadas é a serenidade.

Encontrei esses dez pontinhos em um blog, e fiquei muito feliz! É uma oração atribuída ao Papa João XXIII, ao que tudo indica, é dele mesmo. Espero que seja de bom proveito para você que lê esse blog também.

1- Só por hoje, tratarei de viver exclusivamente o dia de hoje, sem querer resolver os problemas da minha vida de uma só vez.

2- Só por hoje, terei o máximo cuidado com os meus atos; serei cortês nas minhas maneiras, não criticarei ninguém e nem pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém, senão a mim mesmo.

3- Só por hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para a felicidade não só no outro mundo mas neste também.

4- Só por hoje, me adaptarei às circunstâncias, sem pretender que elas se adaptem a todos os meus desejos.

5- Só por hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.

6- Só por hoje, farei uma boa ação e não direi a ninguém.

7- Só por hoje, farei pelo menos uma coisa que não desejo fazer e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.

8- Só por hoje, farei para mim um programa detalhado; talvez não o cumpra integralmente, mas ao menos o escreverei. E me guardarei de duas calamidades: a pressa e a indecisão.

9- Só por hoje, acreditarei firmemente que, embora as circunstâncias demonstrem o contrário, a boa providência de Deus se ocupa de mim como se não existisse mais ninguém no mundo.

10- Só por hoje, não terei temores. De modo particular, não terei medo de gozar o que é belo e de crer na bondade.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Nenê nini e o cachorro!



Nós gatos já nascemos poooobres...porémmm, já nascemos liiiiivres...Senhor, senhora, senhoriooo! Felino! Não reconhecerás!♫

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Mindinha de Lá

Mindinha tinha quatro anos. Tinha o sorriso de mármore e, quando dava risada, mostrava até as goelas. Tinha a cabeça na lua e estrelas nos olhos. Por vezes, as estrelas sumiam tamanha a quantidade de nuvens que envolviam seus olhinhos.

Era muito distraída, vivia batendo a cara no poste. Ela, aos olhos do poeta, ziguezagueava pelo simples fato de ser. Tinha as mãozinhas brancas e pequenas, os pezinhos sempre sujos de tanto andar descalça em casa e no quintal. Ela era medrosa, não conseguia dormir à noite. Temia os monstros de sua imaginação.

Mindinha pensava, pensava, pensava tanto, que sua cabeça doía. Pensava que era bom não pensar mais. Mindinha, por vezes, cansava de sorrir. Cansava de pensar e, de tanto ver a lua, colocava a cabeça na chuva. E chovia tanto que, por vezes, trovejava. Mindinha era brava.

Mindinha, como toda criança, corria pra Mamãe. Mamãe tinha sempre estrelas nos olhos. Mas tinha os pés no chão. Os pés de Mamãe nunca estavam barreados. Trabalhava o dia inteiro, mas não derramava uma gota de suor. Mindinha olhava pra Mamãe e perguntava a si mesma “Como ela consegue estar sempre perfumada?”

Às vezes, Mindinha era esperta. Apertava Mamãe bem forte, tão forte, que, assim, ela também ficava perfumada. Mas Mindinha esquecia, e o cheiro saía. Mindinha duvidava. E como ficava desajeitado aquele toco de gente duvidando!

Mindinha, então, descobriu que o melhor era ficar sempre abraçada à Mamãe, assim, não esquecia, e o perfume não saía.




quarta-feira, 17 de junho de 2009

Littera

Eu gosto de cartas e gosto de flores. Mas deixemos as flores em seu jardim. Fiquemos com a primeira.
A carta permite que você leia o que foi escrito de mil e uma formas. Admite que você seja o seu próprio autor e muitos outros leitores.
A leitura é um convite e uma violação. Eu preciso rasgar o envelope para saber o que tem dentro. Na carta, eu posso sentir a finura do papel e o peso das suas palavras. Posso enxergar sua mente em seus traços e sentir seu cheiro de perto e de longe.
Nela, não existe Ctrl C, Crtl X, Ctrl V. Em seus rabiscos, posso julgar todos seus vacilos, indecisões, desânimos e cansaços. Se você quiser ter a escrita impecável, no mínimo, vai ter de procurar um dicionário. E, mesmo assim, você vai errar, e eu não vou perceber.
Se você desistir de tudo, é preciso muita coragem para rasgar e recomeçar. Talvez o desânimo, o medo e o desdém nunca permitirão que ela chegue. E, se ela vem até minhas mãos, é porque, mesmo sobrando covardia, não faltou audácia.
Ela pode durar anos ali, na estante, e posso lê-la todos os dias. E todos os dias entender mais um pouco de você e de mim.
Ela pode ficar guardada na gaveta, e eu nunca mais tocá-la. Eu posso esquecê-la ou guardá-la na memória, do meu jeito, com a minha letra. Eu posso lê-la e abraçar junto ao peito, com um sorriso nos lábios.
Eu posso amassá-la e jogá-la no cesto de lixo, junto aos papéis higiênicos, bitucas de cigarros e absorventes usados.
E se quiser que ela nunca exista, eu vou precisar queimá-la. E permitir que o vento e a terra sejam seus leitores. A chuva, deixo para consolar-me os olhos.
E mesmo assim, eu peguei, eu senti, eu cheirei, eu repeti palavra por palavra, saboreando-as todas em minha boca.
Seus pingos nos is são difíceis de engolir, é preciso mastigar muito. Seus adjetivos são adocicados e suas lacunas são sombrias. Suas declarações me salvam da insanidade.
Sua falta de ponto final e de acento me dão fome. Suas exclamações são o tempero que faltava. Suas reticências...ah...reticências...Nem as mais potentes labaredas podem incinerar.
E, em cada linha, você toca em alguma parte de mim. E nossas almas se afastam e se fundem nas entrelinhas.
Eu leio devagarzinho para não perder nenhuma letrinha. E corro os olhos sem fôlego em busca da despedida. Só assim te encontro.

domingo, 14 de junho de 2009

Fon-Fon!

- Meu, vai logo, cacete!!! Que molengão!

- Calma, é só um velhinho, ele está no tempo dele...

-FOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOON!

-Puta que o pariu, moleeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

-Você não precisa gritar, nem falar palavrão. Cara, são sete da manhã, pra que tanto pique?

-Eu não sei fazer baliza, me ensina?

-Ensiiino.

- Por que tem muita mulher que não sabe fazer baliza? Eu nunca vi homem que não sabe fazer baliza. Acho que se eles não sabem, não revelam. Será que a noção espaço-temporal está diretamente ligada à testosterona?

- Atitudeeeeeee!!! No carro você tem de ter atitudeeee!

- Mas ela não é temerosa e já bateu duas vezes.

-O seguro da mulher é menos caro porque elas tomam mais cuidado no trânsito.

- Cara, não acredito, eu estacionei mó longe da guia.

- Tá bom assim, vamo!

-Não, eu vou arrumar.

-Tá tarde, vamo!

- Não, eu quero arrumar...

-Depois você arruma!

- Eu não gosto muito de dirigir na cidade. Trânsito, farol e lombada. Fora que não gosto de trocar de pista. Prefiro a marginal – sem trânsito – me sinto liiivre!

- Aqui na terra tão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock'n'roll, uns dias chove, noutros dias bate sol!♫

- Andôôôôôôô!!!

- O carro é uma extensão fálica do homem. Ali ele deposita toda a sua masculinidade. É como se fosse uma auto-afirmação.

- Você acha que eu dirijo bem?

- Dirige...Mas, sei lá, você deveria ser mais agressiva, sabe, dirigir que nem homem!

- Como assim?

-Por exemplo, o jeito que você gira o volante...

- Hahahaha, ela dirige muito mal, né? Olha que eu não reparo muito como as pessoas dirigem. Só quando chama muito a atenção. Mas eu acho engraçado, porque ela num liga. Já, pra mim, você dirige bem, não sei explicar. Fluuuuuuui.

- Cara, ele corre muito, parece que tá num rali! Não gosto de pegar carona com ele não.

-Aprendi a estacionar de ré! Só falta saber fazer a bendita da baliza.

-Você tirou carta com quantos anos?

-Vinte.

-E você?

-Dezoito.

- Então, o teatro é na Maria Antônia, deve ser pela Consolação...

- Faz 40 minutos que eu to tentando chegar ao lugar!!!

-Desculpa, eu tenho dificuldade de prestar atenção quando não tô dirigindo... Eu gosto de guia, cadê o guia? Ah, eu não gosto do GPS.

- Meu, isso irrita as pessoas, não tem de cortar a fila.

- Eu, não, bando de bobão, não vou ficar nesse trânsito, não.

- Ele deve estar puto com você...

- FONNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNN!!!

-Ai, o que foi, já vô, já vô! Estressado!

-Mulher não dá passagem, mas eu dou. Elas são antipáticas, não quero ser igual. Os homens dão passagem...

- Que cara folgado, ele deu um totó no carro da frente só porque tá trânsito, ai, que ódio!!!

- Ele tava com uma garrafa na mão, cara, primeiro de janeiro e já me vem um playboyzinho desse, tem dó. Filho da mãe...

- Sabe, eu acho que o jeito de dirigir tem muito a ver com a personalidade da pessoa. Minha mãe, por exemplo, meu, buzina toda hora, e ela é expansiva, sabe. Já meu pai, ele não buzina nem por decreto, é mais fechado. Eu acho vou ganhando segurança na direção aos pouquinhos, como tudo na minha vida...

- Abriu o sinal.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Poetize!

O site www.talentos.wiki.br, vinculado ao www.brasilwiki.com.br foi lançado hoje, 22 de abril, com um concurso de poesia de brinde. O primeiro colocado ganha R$5 mil, o segundo, R$3 mil, e o terceiro, R$1 mil (eles gostam de números primos!rs). Além disso, as 70 poesias mais bem avaliadas serão editadas em um livro.

Os avaliadores são os próprios internautas além de um júri especializado: Aercio Flavio Consolin, Cristine Gerk, Isabel Furini, João Lins de Albuquerque, Paulo Leandro Valoto e Welington Andrade.

O concurso vai de 22 de abril a 7 de junho, e cada autor poderá inscrever duas poesias. Acesse o site e leia o regulamento para saber mais detalhes.

Se você ganhar, eu sou sua amiga =)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Stop!

Meu querido amigo André Calou sugeriu postar um texto seu aqui nesse lugarzinho. Adorei a ideia e aceitei de pronto! Agora, divido com vocês um pouco do que se passa no mundinho de Deco Peteleco.

Segue o texto:

Ensaio sobre a Cegueira

Outro dia, mentalmente motivado por uma discussão fantástica numa das disciplinas que faço no meu curso, fiquei pensando sobre o assunto. Esta questão sobre ser cego enxergando e supostamente descobrir a visão também é questionável.

Nós vemos o que vemos que queremos ver. Até aí, sem grandes novidades no front. Mas será mesmo que está glamorosa realidade existe também???

Que realidade enxergar? Enxergar a fome e a miséria que existe no mundo curiosamente desencadeia um processo de cegueira sobre os processos de desenvolvimento humano que levaram o progresso para alguns em troca da miséria absoluta de muitos. Contudo, parece haver certa falta de empenho em compreender que vivemos um paradoxo eterno – este texto devia ter outro título – nesta vida moderna.

O paradoxo de viver sobre as pressões extremas impostas pela sociedade e aquelas que impomos a nós mesmos pode ser um grande motivador desta pseudo-cegueira.

Imaginando neste ponto que provavelmente existem zilhões de textos e teses contando pra você exatamente a mesma coisa, eu quero apenas fazer das minhas palavras uma música de reflexão para quem lê isto, possa ter a oportunidade de viver melhor (olha o estereótipo chegando aí gente!..rsrsrs) a sua vida.

Pegue um papel e uma caneta. Vamos brincar de um “stop” filosófico. Faça colunas com os seguintes tópicos:

o que eu faço na vida|do que eu faço, eu gosto de..|do que eu faço, eu não gosto de..|o que o mundo me diz para fazer|o que do mundo eu faço|o que eu faço que o mundo não deixa|

Se você foi paciente para ler até aqui, se teve uma sinapse de impulso para tentar, mas achou perda de tempo, faça! Depois você deixa um comentário aqui, e conta se você acha que enxerga ou não.