quinta-feira, 30 de julho de 2009

Divã

- Doutor, li numa pesquisa,... ou não... Num livro... Agora não me lembro! Mas acho que foi num livro...Geralmente, eu lembro do tamanho, da textura e da cor das páginas. O problema é que eu acho que li várias vezes, em vários lugares...

- O que você leu?

- Ah, sim. Que as pessoas, a maioria das pessoas gasta mais tempo pensando em seu passado. Um outro tanto menor, em seu futuro. Quando o ideal era ater-se ao presente. Não que se deva desconsiderar o pretérito e o porvir, você sabe, mas, de fato, é o presente que existe.

- Sim, sim.

- O problema é que eu não gasto meus pensamentos em nenhum desses tempos.

- Não?

- Não, eu vivo divagando sobre a hipótese.

O psicanalista parou, com um sorriso nos lábios, pegou seu caderninho e começou a escrever.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

30 vidas de Bogotá

Uma das coisas de que mais gosto no jornalismo é a entrevista. Para mim, entrevistar é inversamente proporcional a transcrever fitas. O que eu detesto transcrever, e adoro fazer entrevistas! Ao vivo, claro. Como se aprende com o ser humano! É incrível!

Há cerca de um mês, vi uma reportagem na Ana Maria Braga sobre um francês que fez um trabalho maravilhoso com mulheres do mundo inteiro. Confira a linda reportagem aqui (é bonita mesmo, não seja preconceituoso).

Imediatamente, enviei um e-mail para minha amiga Sabrina Duran, que também é jornalista. Sabia que ela ia gostar. Mal sabia o que a bichinha estava aprontando!


Hoje recebi um e-mail dela sobre um projeto que ela fará em Bogotá. Gostaria de dividir com vocês:


“Meninas e meninos,


Entre os dias 27 de julho e 27 de agosto, a cidade de Bogotá terá suas histórias anônimas descobertas, publicadas e lidas por gente da Colômbia, Brasil e, quiçá, de outros países da América Latina.


O projeto 30 vidas de Bogotá é uma parceria minha com o site da revista Trip e nasceu após os dois anos e meio que vivi em Londres, durante os quais me dediquei, entre outras coisas, a escrever perfis de anônimos. Decidi levar adiante - agora em outra cidade - esse interesse por histórias de pessoas que encontro pelas ruas, bares, ônibus e outros espaços públicos.


Durante os 30 dias exatos que passarei em Bogotá, sairei todos os dias às ruas da cidade procurando gente (mulheres, homens, idosos, jovens, adultos e crianças) disposta a me contar uma história pessoal – qualquer história. Com o relato em mãos – além de fotos e vídeos que farei pela cidade –, voltarei pra casa onde estarei hospedada, escreverei a história e a publicarei nesse blog aqui: www.revistatrip.com.br/blogs/30vidas (no ar a partir do dia 27). Cada um dos 30 textos será publicado em português e espanhol.


No dia seguinte à publicação da história, fotos e vídeos no blog, a narrativa será impressa (algumas cópias), numerada e ´´perdida´´ em espaços públicos da cidade – bancos de ônibus, praças, cafés, bares, cemitérios, bibliotecas.


O objetivo do projeto 30 vidas de Bogotá é descobrir e disseminar histórias de gente comum, que tenham um viés lírico, cômico ou trágico, sem a pretensão de que sejam lições de vida para os leitores, mas esperando que reflitam uma parcela da riqueza cultural e pessoal que existe em qualquer cidade do mundo e que, de outra forma, talvez nunca fosse conhecida.


A ideia é que, depois de Bogotá, o projeto 30 vidas passe por outras cidades, ainda a serem definidas, e que podem estar em qualquer continente. O único critério é que nelas existam pessoas e suas histórias.


Acompanhem!


Beijo,


Sabrina”

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sem nuvens


Imagem: Eduarda

Segundo o dicionário online Houaiss, a palavra sereno vem do latim: "serénus,a,um 'sereno, puro de nuvens, calmo, sossegado, tranquilo, quieto".

Também cheguei a ler que a pessoa serena é aquela que pode ver os astros, o que não deixa de ser uma verdade em decorrência de sua etimologia. Se é puro de nuvens, pode ver o céu e todas as estrelas que ele nos apresenta.

Hoje em dia (ou será desde sempre?), acredito que uma das maiores virtudes a serem almejadas é a serenidade.

Encontrei esses dez pontinhos em um blog, e fiquei muito feliz! É uma oração atribuída ao Papa João XXIII, ao que tudo indica, é dele mesmo. Espero que seja de bom proveito para você que lê esse blog também.

1- Só por hoje, tratarei de viver exclusivamente o dia de hoje, sem querer resolver os problemas da minha vida de uma só vez.

2- Só por hoje, terei o máximo cuidado com os meus atos; serei cortês nas minhas maneiras, não criticarei ninguém e nem pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém, senão a mim mesmo.

3- Só por hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para a felicidade não só no outro mundo mas neste também.

4- Só por hoje, me adaptarei às circunstâncias, sem pretender que elas se adaptem a todos os meus desejos.

5- Só por hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.

6- Só por hoje, farei uma boa ação e não direi a ninguém.

7- Só por hoje, farei pelo menos uma coisa que não desejo fazer e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.

8- Só por hoje, farei para mim um programa detalhado; talvez não o cumpra integralmente, mas ao menos o escreverei. E me guardarei de duas calamidades: a pressa e a indecisão.

9- Só por hoje, acreditarei firmemente que, embora as circunstâncias demonstrem o contrário, a boa providência de Deus se ocupa de mim como se não existisse mais ninguém no mundo.

10- Só por hoje, não terei temores. De modo particular, não terei medo de gozar o que é belo e de crer na bondade.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Nenê nini e o cachorro!



Nós gatos já nascemos poooobres...porémmm, já nascemos liiiiivres...Senhor, senhora, senhoriooo! Felino! Não reconhecerás!♫

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Mindinha de Lá

Mindinha tinha quatro anos. Tinha o sorriso de mármore e, quando dava risada, mostrava até as goelas. Tinha a cabeça na lua e estrelas nos olhos. Por vezes, as estrelas sumiam tamanha a quantidade de nuvens que envolviam seus olhinhos.

Era muito distraída, vivia batendo a cara no poste. Ela, aos olhos do poeta, ziguezagueava pelo simples fato de ser. Tinha as mãozinhas brancas e pequenas, os pezinhos sempre sujos de tanto andar descalça em casa e no quintal. Ela era medrosa, não conseguia dormir à noite. Temia os monstros de sua imaginação.

Mindinha pensava, pensava, pensava tanto, que sua cabeça doía. Pensava que era bom não pensar mais. Mindinha, por vezes, cansava de sorrir. Cansava de pensar e, de tanto ver a lua, colocava a cabeça na chuva. E chovia tanto que, por vezes, trovejava. Mindinha era brava.

Mindinha, como toda criança, corria pra Mamãe. Mamãe tinha sempre estrelas nos olhos. Mas tinha os pés no chão. Os pés de Mamãe nunca estavam barreados. Trabalhava o dia inteiro, mas não derramava uma gota de suor. Mindinha olhava pra Mamãe e perguntava a si mesma “Como ela consegue estar sempre perfumada?”

Às vezes, Mindinha era esperta. Apertava Mamãe bem forte, tão forte, que, assim, ela também ficava perfumada. Mas Mindinha esquecia, e o cheiro saía. Mindinha duvidava. E como ficava desajeitado aquele toco de gente duvidando!

Mindinha, então, descobriu que o melhor era ficar sempre abraçada à Mamãe, assim, não esquecia, e o perfume não saía.