quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ninguém estraga o nosso samba

Salve, meu velho! 

Mas já vai embora? Pra que a pressa?

Pois antes que desapareça de vez, saiba que não guardo raiva alguma de você. Talvez um cadinho de mágoa – que tende a desaparecer com cavouco no coração. Mas isso é só para a tristeza chamar a poesia.

            Agora, senta aqui, chega junto, prum tantinho de prosa. Aumenta o samba, pega um copo de cerveja. Não, obrigada, não sou de bebida amarga.

            Neste samba do crioulo doido, é só música, não tem canção. Foi você quem me ensinou isso, que quanto mais a boca fecha, mais ainda a alma quieta. E no silêncio sai o bom.

            Que calada mais falo, que palavreado nenhum tira calo.

            Já vai tarde, meu velho! A boa nova já tá aí: mansinha e faceira, sorrindo para mim.

            Você bem que tentou, meu velho, ser pior que diabo manco. Mas Deus quis que fôssemos parceiros. E, juntos, mais o novo, vamos de mãos dadas, se despedindo e saudando, com tolerante malemolência, na maciota do perdão.

            Na terra do Sol, já vai tarde, meu velho, quiçá reste a saudade, pro meu samba ganhar força.

            Mais me dê esse gargalo,  ao menos dois dedinhos da caninha, que até eu que num sou de beber, vou brindar o futuro com a garganta alongada!

            (E tenho dito!)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009