domingo, 26 de dezembro de 2010

Cenografia

Faz tempo que não me sento aqui. Sinto uma saudade quente. Se antes cantava o samba, agora, busco o silêncio. Encontro-me com a solidão para ouvir um pouco de verdade.

Vamos beber ao morto.

Por aqui, madeira rangendo, pó na pia. Eu gosto do que vejo: a lenha queimada, o fogo ardente, o relógio bem-me-quer.

É um pouco frio e um tanto abafado. Já consigo ver na penumbra a fina fuligem. Quero limpar.

Mas antes vou ficar sentada aqui, respirando bolor, aspirando eucalipto.
Que venha a estrela, que aquieta o samba, dar cadência ao silêncio.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tudo passa

Pois foi assim. Ela gostava muito de uva-passa. Comeu, comeu, comeu, comeu. E quanto mais comia mais queria! E mais comia! E mais queria. E comeu, comeu, comeu.

E de tanta repetição se estufou.


Coitada dela. Nunca mais ela fez amizade com a uva-passa.

O mesmo aconteceu com a ricota.


Nunca mais, é bem verdade que é demais.


Depois de um tempo, tem um cadinho de prosa com a uva-passa. E o amor pela ricota voltou. Ameno, mansinho, sincero. Nem parecia que já tivera repulsa.


E naquele dia ela percebeu que não devia comer tanto medo. E que apatia era pior que azia.


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

No prato.

- Come um pouco.

- Quero não.

- Um pouco, tá uma delícia.

- Não, eu num gosto dessas coisa não.

- Mas você está visivelmente fraca, coma.

- Num quero não, dona.

- Você precisa de proteína, carboidratos...

- É. Em casa eu como. Eu sou meia ressabiada para comer.


O desabrigo traz medo da comida.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Antes que setembro acabe

Que mês? Setembro.
O que você quer do mundo?

Uma casa.
À beira mar no Tahiti ou um palácio em Paris?

Um carro.
Mercedes ou BMW?

Um marido.
O Johnny Depp ou o Brad Pitt?

Uma sobremesa.
Pudim ou pavê?

Um vestido.
De noiva ou de gala?

Uma viagem.
Londres ou Sidney?

Um voto.
Outubro ou nada?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A primeira vez dos dois

Ela tinha medo de tudo
e a mente transportada.

E ela comia galinha morta
com mil sabores queimando
Depois que o vaso se quebrou,
cravando o dente novamente

As borboletas e as orquídeas dançavam paz
lisa como seda, branca como porcelana.

As casinhas pequeninas almoçavam juntas…

E, enfim, a conquista
No seu colo, bebi seu consolo.

(C.C. e P.S.)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Vestido de novo

Estou fazendo as malas e sinto cheiro de morte. Passo o passado e dobro bem as camisas brancas – deixo para tingi-las depois.
Uma nova vida está por vir e já sinto saudades. (Lembro quando me disseram que o amor não é sentimento, mas atos da vontade). Quero viver bem vivido meu futuro pretérito.

Estou arrumando tudo devagarzinho, quase perdendo o fôlego. Não pretendo levar muita coisa: quero fechar o zíper com tranquilidade.
O novo receberá o colorido, mas não vou esquecer de sua genuína cor, contém todo sabor.
Sinto cheiro de morte e vou de branco ao sepulcro. Celebro a vida.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Na escuta


Dia desses estava à toa, sem fazer nada, pensando aí em desbravar o mundo. Respirei fundo e pensei com um sorriso: “Há tanto por conhecer... Tanta terra nesse mundão de Deus”. E se virasse freira, prostituta. Será que conseguiria? Pra qual lado mais pendia?

Alguém placidamente já me dissera que eu era uma alma inquieta.

Pensei em ir para Índia ser voluntária em prol da dignidade dos moribundos. Pensei em ser artista. Será que a busca pararia ali?

Pensei que meus sonhos, eram leves como a brisa. Isso até cair no contrário.

E se ficasse aqui parada? Na mesmice? E se a vida inteira fosse besta, meu Deus? Não será o tédio a pior das dores?

Besta não combina com Deus. Besta é vida sem Deus. Já quereria dizer alguma parte ali do Grande Sertão.

E se eu ficar aqui, então, será que tenho de desbravar esse mundão que tenho dentro de mim? Será que há países, culturas e climas novos em meu espírito que eu não conhecia? Será que eu vivi 27 anos sem saber quem sou eu?

Quiçá nem valeria a pena. Quiçá sou tão interessante assim.

Quiçá viagem.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Visceral

Sonhei que estava nua,  que a brisa corria forte em minhas veias, e o sol se abria em minhas entranhas. O buraco negro desabrochava no meu ventre, e meu coração sugava tudo em vácuo frio e gelado. 

Sobravam pássaros, plumas e gelo seco.

 

(Ahhhhhhhhhhhhh, como é bom voar!)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Marcha da Cidadania pela Vida

Do blog da Canção Nova:

Com o objetivo de promover uma das maiores mobilizações já vistas em favor da vida e demonstrar, de modo contundente e real, a verdadeira vontade do povo brasileiro de transformar 2010 no ano oficial em “Defesa da Vida, a cidade de São Paulo vai realizar, no dia 20 de março, às 10h, a “Marcha da Cidadania pela Vida”. Os participantes vão se reunir no Viaduto Jacareí, centro da cidade, e dirigir-se à Praça da Sé.

Esta é a quarta vez que essa iniciativa é realizada. O evento foi organizado devido ao número expressivo de deputados favoráveis à aprovação do aborto – do início ao nono mês de gravidez – visto que uma nova votação está agendada na pauta da Câmara dos Deputados.

Os três atos anteriores, que contaram com diversas manifestações, realizadas em São Paulo e em diversas cidades do país, culminaram com a “Marcha de Cidadania pela Vida” na Esplanada dos Ministérios em Brasília em 2009, e foram decisivos para obtenção das duas grandes vitórias contra a legalização dessa prática criminosa no Brasil.

O encontro contará com a participação de artistas, reconhecidas lideranças da sociedade civil, lideranças religiosas e não religiosas e diversas instituições que apóiam o Movimento em Defesa da Vida; muitos dos quais já apoiaram as manifestações anteriores.

Os atos já realizados levaram mais de 15 mil pessoas à Praça da Sé e contaram com a participação de grandes personalidades do cenário nacional, como:

– Deputado Federal Luiz Bassuma (BA), presidente da ‘Frente Parlamentar em Defesa da Vida – Contra o Aborto’;
– Senadora Heloísa Helena, presidente do PSOL;
– Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo;
– Doutor Ives Gandra Martins, jurista;
– Dom Fernando Figueiredo, bispo da diocese de Santo Amaro;
– Pe. Marcelo Rossi;
– Reverendo Aury Vieira Reynaldet, Igreja Presbiteriana Independente;
– Reverenda Gladys Barbosa Gama, Igreja Medotista;
– Dom Nelson Westrupp, presidente do Conselho Episcopal Regional Sul 1- CNBB;
– Dom Gil Antonio Moreira, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB;
– Doutor Rogério Pinto Coelho Amato, empresário e presidente da Rede Brasileira do Terceiro Setor – REBRATES,
– Doutora Lenise Garcia, professora do Departamento de Biologia Celular da UnB e
presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem
Aborto;
– Doutora Marília de Castro, coordenadora estadual em São Paulo do Movimento
Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto;
– Doutor César Perri, Federação Espírita Brasileira
– Jaime Ferreira Lopes, vice-Presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto;
– Doutor Cícero Harada, presidente da Comissão da República e da Democracia da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, entre outros.

Una-se a esse grupo e faça valer sua opinião em favor da vida!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Diga-me com quem sonhas...

Recebi por email esse textinho, escrito há 4 anos, mas compartilhado comigo só agora, de uma querida amiga, doce, autêntica e de coração gigante! 


"É por essas e outras que a borboleta escolheu continuar dormindo, não mais acordar.
Quero a bravura da pequena voadora.
Prestar atenção nos perfumes e quando encontrar aquele encanto,
Dormir, não mais acordar.
Nas cores e nas asas descobrir que a vida pode ser bela, mesmo deixando um pedacinho do mundo de lado para desbravar outro.
Adormecer, sonho tanto com isso.
Hoje durmo, acordo, durmo, acordo.., Nada sonho e em tudo penso... Quando vejo é manhã, cinzenta, sem sol, sem brilho, sem luz
O que ilumina, uma pequena lampadinha, como um vaga-lume a vagar pelas bandas coração.
A pensar, onde estará os olhos cantantes apaixonantes que desabrochou um pequenino sentimento a buscar no ser voante???
Onde estará??
Durma, quem sabe encontrar..."

Fabiana Vaz


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Epifanias

Dirigiu-se à pia para lavar as mãos. 

- Uma mulher forte! – disse a senhora de cabelos brancos, costas curvadas e pose de cigana.

Assustada, a menina não cria que aquilo fosse com ela. Afinal, era novinha demais para ser mulher e bem magrinha para ser forte.

- Um pouco tímida, é verdade, mas muito forte!

Tão pequena e tão cética, para ela, a vidente charlatona não sabia.

 

Entristecida com suas confusões mentais, quisera ser tranquila e sorridente para conquistar a empatia do vendedor carismático.

- Tome, menina, para que nunca perder a alegria – disse o vendedor entregando-lhe um broche de sua terra boliviana.

Como ele sabia?


No meio da rua, resolveu tirar a sorte no realejo. 

“Daqui dois ou três meses, irá encontrar seu grande amor”. Mas ela rasgou o presságio para não ter de conferir.

Dizem por aí que ele sabia...

 

A terceira vela que acendeu não apagou. Pedindo a Deus mansidão e humildade, almejava desfazer-se de armas para tonificar os músculos. E, assim, seu choro se formou amor e sangue derramado.

 

E ela ficou pensando o que queria dizer aquelas e mais outras pequeninas epifanias de sua vida.

Quem sabe?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Nada te perturbe ...

Nada te perturbe, nada te espante,
Tudo passa, Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
quem a Deus tem, nada lhe falta:
só Deus basta.

Eleva o pensamento, ao céu sobe,
por nada te angusties, nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue, com grande entrega,
E, venha o que vier, nada te espante.
Vês a glória do mundo? É glória vã;
nada tem de estável.Tudo passa.

Deseje as coisas celestes, que sempre duram;
fiel e rico em promessas, Deus não muda.


Ama-o como merece, Bondade Imensa;
confiança e fé viva, mantenha a alma,
Que quem crê espera, Tudo alcança.


A maldade, a injustiça,
o abandono não ameaçarão,
Quem a Deus tem,
mesmo que passe por momentos difíceis,

sendo Deus o seu tesouro, nada lhe falta.


(Santa Teresa D'Ávila)