quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Epifanias

Dirigiu-se à pia para lavar as mãos. 

- Uma mulher forte! – disse a senhora de cabelos brancos, costas curvadas e pose de cigana.

Assustada, a menina não cria que aquilo fosse com ela. Afinal, era novinha demais para ser mulher e bem magrinha para ser forte.

- Um pouco tímida, é verdade, mas muito forte!

Tão pequena e tão cética, para ela, a vidente charlatona não sabia.

 

Entristecida com suas confusões mentais, quisera ser tranquila e sorridente para conquistar a empatia do vendedor carismático.

- Tome, menina, para que nunca perder a alegria – disse o vendedor entregando-lhe um broche de sua terra boliviana.

Como ele sabia?


No meio da rua, resolveu tirar a sorte no realejo. 

“Daqui dois ou três meses, irá encontrar seu grande amor”. Mas ela rasgou o presságio para não ter de conferir.

Dizem por aí que ele sabia...

 

A terceira vela que acendeu não apagou. Pedindo a Deus mansidão e humildade, almejava desfazer-se de armas para tonificar os músculos. E, assim, seu choro se formou amor e sangue derramado.

 

E ela ficou pensando o que queria dizer aquelas e mais outras pequeninas epifanias de sua vida.

Quem sabe?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010