terça-feira, 15 de junho de 2010

Vestido de novo

Estou fazendo as malas e sinto cheiro de morte. Passo o passado e dobro bem as camisas brancas – deixo para tingi-las depois.
Uma nova vida está por vir e já sinto saudades. (Lembro quando me disseram que o amor não é sentimento, mas atos da vontade). Quero viver bem vivido meu futuro pretérito.

Estou arrumando tudo devagarzinho, quase perdendo o fôlego. Não pretendo levar muita coisa: quero fechar o zíper com tranquilidade.
O novo receberá o colorido, mas não vou esquecer de sua genuína cor, contém todo sabor.
Sinto cheiro de morte e vou de branco ao sepulcro. Celebro a vida.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Na escuta


Dia desses estava à toa, sem fazer nada, pensando aí em desbravar o mundo. Respirei fundo e pensei com um sorriso: “Há tanto por conhecer... Tanta terra nesse mundão de Deus”. E se virasse freira, prostituta. Será que conseguiria? Pra qual lado mais pendia?

Alguém placidamente já me dissera que eu era uma alma inquieta.

Pensei em ir para Índia ser voluntária em prol da dignidade dos moribundos. Pensei em ser artista. Será que a busca pararia ali?

Pensei que meus sonhos, eram leves como a brisa. Isso até cair no contrário.

E se ficasse aqui parada? Na mesmice? E se a vida inteira fosse besta, meu Deus? Não será o tédio a pior das dores?

Besta não combina com Deus. Besta é vida sem Deus. Já quereria dizer alguma parte ali do Grande Sertão.

E se eu ficar aqui, então, será que tenho de desbravar esse mundão que tenho dentro de mim? Será que há países, culturas e climas novos em meu espírito que eu não conhecia? Será que eu vivi 27 anos sem saber quem sou eu?

Quiçá nem valeria a pena. Quiçá sou tão interessante assim.

Quiçá viagem.