terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ode às férteis rameiras!

Não é maldade. Coisas dos tempos.

Aquelas mulheres, cheias de boa vontade, tentando esconder o desconcerto, perguntavam à balzaquiana, há dois anos matrimoniada, de forma despudoradamente consagrada, obscenamente descente, ultrajadamente canônica:

– Mas você está bem? Foi planejado? Era mesmo o que vocês queriam?

Constrangida por gerar alegria, tal qual meretriz, eructou afirmativamente.

Partiu dali, extasiada, carregando a sua primeira vergonha no ventre.

Mas, antes que atirassem a última pedra, regurgitou, em baixo calão, a sentença digna de guilhotina:

– Um viva às licenciosas de prole em abundância!

E seguiu, prostitutamente, com seu pandulho venturoso.  

Maternidade – Picasso