segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Coração como cera

"Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia?
Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio!
Tu, porém, és o Santo, és rei, és o louvor de Israel.
Em ti os nossos antepassados puseram a sua confiança; confiaram, e os livraste.
Clamaram a ti, e foram libertos; em ti confiaram, e não se decepcionaram.
Mas eu sou verme, e não homem, motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo.
Caçoam de mim todos os que me vêem; balançando a cabeça, lançam insultos contra mim, dizendo:
"Recorra ao Senhor! Que o Senhor o liberte! Que ele o livre, já que lhe quer bem! "
Contudo, tu mesmo me tiraste do ventre; deste-me segurança junto ao seio de minha mãe.
Desde que nasci fui entregue a ti; desde o ventre materno és o meu Deus.
Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra.
Muitos touros me cercam, sim, rodeiam-me os poderosos de Basã.
Como leão voraz rugindo escancaram a boca contra mim.
Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. Meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo.
Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte."